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No Alentejo “murakamizo-me”. Escrevo e corro. Escrevo e corro. Escrevo e corro. É um bom lugar para tentar terminar o meu projeto de tese e também para treinar. Passo o dia a tentar escrever e depois tento treinar. Penso no que escrevo, enquanto corro, mas evito pensar em correr, enquanto escrevo. Mas também vejo televisão. Coisa rara para quem já não a tem, mas possível em casa emprestada. Assim, vi o Campeonato do Mundo de Corta-Mato na manhã deste sábado, no canal 2.

Não resisti a fixar-me na TV, quando descobri que a prova, a decorrer em Aarhus, na Dinamarca, contemplava a travessia do telhado com relva do Museu Moesgaard, num percurso de grande exigência, naquilo que é uma tentativa da IAAF de explorar percursos “extremos”, de modo a atrair mais público.

Uma manhã longa, desde as 10h, com o corta-mato misto, até à hora de almoço, com a conclusão da prova de seniores masculinos, onde tivemos um meteórico retorno espiritual de Shakespeare, o grande mestre da arte dramática, na definição das classificações. A última prova levou a um inédito título coletivo ugandês e a um triunfo individual de Joshua Cheptegei, com 31:40, suplantando o também ugandês Jacob Kiplimo e o ex-campeão, o queniano Geoffrey Kamworor, após uma prova taticamente inteligente neste percurso extremamente exigente.

O toque shakespeariano na prova dinamarquesa explica-se porque há dois anos, em Kampala, no Uganda, Cheptegei “estoirou” de tal forma na última volta, quando liderava isolado a prova, que acabou por terminar em 30º, num final de enorme sofrimento, que ainda assim garantiu a medalha de bronze coletiva para o Uganda. Dois anos depois da gigantesca desilusão “caseira”, o novo campeão do Mundo corrigiu os erros cometidos e conquistou finalmente o título mundial. Um argumento ao nível da melhor Shakespeare.

 

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publicado às 16:52

A centésima

por JL, em 19.03.19

Faz três anos no próximo dia 20 de março, mas recordo-me como se fosse hoje. Ali estava eu, na Praça da Portagem da Ponte 25 de abril, com um boné branco na cabeça, calções, t-shirt e uns Downshifter 6 nos pés, perplexo e rodeado por uma multidão buliçosa, que erguia simultaneamente os braços de cada vez que o speaker os incitava a isso.

Três meses antes, oferecera-me pelo Natal uma inscrição na Mini-Maratona Vodafone. É assim uma daquelas coisas de que nos lembramos e não sabemos muito bem porquê. Uma experiência. Uma curiosidade. Um desafio. Dois meses de treino no ginásio com constante insistência nas passadeiras e ali estava na crueldade do mundo real, com a garganta a arranhar, depois da constipação da época, a tropeçar em mim, no meio daquela massa humana que se deslocava lentamente em direção à linha de partida. Depois, foi correr, na medida do possível, colocando um pé à frente do outro até chegar aos Jerónimos com a sensação de que tinha pulmão e pernas para mais.

Tanto assim foi que depois continuei. A correr. Tanto ou tão pouco, que chegou a vez da centésima. A contar com todas, mesmo as não cronometradas como a Corrida da Liberdade, que fiz três vezes, são duas maratonas, uma ultra, 13 meias-maratonas, quase três dezenas de 10 km, dois 20 km, vários trails, algumas léguas, e muitas diversas mais… São 100 provas contabilizadas.

Foi por isso com alguma emoção que regressei no domingo à casa partida. Na 29ª EDP Meia Maratona de Lisboa. Na mesma Praça da Portagem da 25 de abril. Confesso que apesar de ter sido a escolha para a primeira vez, acabei por não me tornar um grande fã desta prova. São demasiados atletas e faltam blocos de partida, o que faz desta prova um ziguezague constante e desgastante durante os primeiros quilómetros. Por isso, este ano decidi aproveitar o bom tempo para chegar mais cedo e tentar partir mais próximo da linha da frente. Uma opção salutar, que facilitou bastante a progressão. Ainda assim, só perto do primeiro quilómetro se consegue uma verdadeira estabilização, mas a partir daí foi perfeitamente possível assegurar um ritmo constante.

Há três meses, havia conseguido um registo bastante positivo nos Descobrimentos, com uma prova em negative split. Com os primeiros dois terços em registos próximos de 4’10/km e os sete quilómetros finais em 4/km numa prova invulgarmente bem gerida para o pouco que consigo fazer. Para a Meia de Lisboa pretendia fazer algo semelhante, mas sabia que a preparação não era a mesma. Assim, após o tortuoso primeiro quilómetro a 4’40/km, aproveitei a descida para Alcântara para recuperar algum tempo e consegui estabilizar em 4’10/km. No entanto, desta feita a preparação não me permitiu a aceleração final, pelo contrário, e acabei por concluir com um tempo de chip de 1:27:29. Bastante bom para aquilo que eram os meus registos não há muito tempo, mas relativamente amargo face aos desenvolvimentos mais recentes. Fica a sensação de que numa fase melhor e mais bem preparado poderia ter feito pelo menos um minuto a menos. No entanto, acredito que não faltarão oportunidades até estar a comemorar a milésima!

Classificação final no website da organização e historial de resultados em JoaoLimaNet.

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publicado às 16:42

Excursão ao Barreiro

por JL, em 16.03.19

Domingo, 24 de fevereiro, oito horas da manhã. Um ligeiro vento fresco lembra-nos de que podíamos ter ficado na cama. Mas ali estamos no estacionamento à espera de nos encontrarmos com outros membros da equipa para depois fazermos uma pequena excursão de cerca de 30 km até Quinta do Braamcamp, no Barreiro, para corrermos menos de 4 km de corta-mato. Uma espiral de sensatez, portanto.

A prova, o 3º Corta-Mato da Academia do Korpo, correspondia à 5ª jornada do Circuito de Atletismo do Barreiro, e A Natureza Ensina conseguiu aproveitar um fim-de-semana de pausa noutras competições para levar um pequeno coletivo de 13 atletas a esta competição. Uma oportunidade para treinar em ritmo mais intenso, em piso de corta-mato, mas sem qualquer pressão. Daí embarcar nesta simpática excursão.

Mais uma vez sem grandes objetivos competitivos, deu para fazer qualquer coisa como 14’40, nos 3,8 km do percurso, sem certezas, pois esqueci-me de parar o relógio… O suficiente para conseguir ser 7º, num escalão dominado por atletas do GDC Estrela Negra e do GDR Ribeirinho. Entre a prestação discreta da equipa, destacaram-se excelentes prestações femininas, com dois pódios (um 1º e um 3º lugar), no escalão de Veteranas II

Enfim, se não estivesse estado no Barreiro também não teria passado a receber publicidade em série, numa conhecida rede social, sobre o debate político sobre o futuro dos 21 hectares em frente ao rio da Quinta do Braamcamp…

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publicado às 18:24


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