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Em memória de Francisco Lázaro

por JL, em 30.07.19

Fazia parte da primeira equipa olímpica portuguesa, nos Jogos Olímpicos de 1912, em Estocolmo, na Suécia, quando viria a falecer, poucas horas depois de ter desfalecido durante a prova de maratona. Tinha 24 anos.

Francisco Lázaro havia-se feito notar em várias provas nacionais, nomeadamente na primeira maratona realizada em Portugal, em 1910, com um tempo abaixo das 3 horas (2h57). No ano de 1912 conseguiu alcançar 2h52 num percurso particularmente difícil, o que abria boas perspetivas para a sua participação olímpica, uma vez que o vencedor da maratona olímpica de Londres, quatro anos antes, terminara com um tempo de 2h55.

Nascido em Lisboa, carpinteiro e oficial especializado em carroçarias de automóveis, sem treinador, conta-se que fazia diariamente o percurso entre Benfica e Bairro Alto, em ritmo de corrida, a desafiar os elétricos, e que foi assim que foi descoberto para o atletismo. Jogou futebol no Grupo Sport Benfica, correu pelo Sport Lisboa e Benfica e acabou por ingressar Lisboa Sporting Clube. Na V Olímpiada da era moderna, Lázaro foi o primeiro porta-bandeira da recém-criada bandeira Republicana, na Cerimónia de Abertura dos Jogos.

Conta-se ainda que no dia da maratona as temperaturas eram elevadas e que os colegas de equipa Armando Cortesão e Fernando Correia o encontraram a besuntar-se com sebo antes da partida e que terão sido os poros impedidos que impediram a transpiração. Outros adiantam que seria um dos poucos atletas que não usava nenhuma proteção na cabeça. Aponta-se também o possível uso da “emborcação”, uma mistela para “assegurar a elasticidade e a perfeita maleabilidade dos músculos”, constituída por claras de ovos, uma gema, água destilada, essência de terebentina e ácido acético. Certezas não existem. A autópsia revelou uma desidratação extrema como causa de morte.

A primeira vítima mortal nos Jogos Olímpicos da era moderna foi homenageada e Pierre de Coubertin enviou condolências à família. Em Portugal, o seu nome foi atribuído a várias ruas, em Lisboa, na zona dos Anjos, mas também em Baixa da Banheira, Corroios, Costa da Caparica, Famões, Fernão Ferro ou S. Domingos de Rana.

Em Lisboa, atribuíram ainda o seu nome ao estádio do Clube de Futebol Benfica, na Rua Olivério Serpa. Foi dali, do centro do relvado sintético do Estádio Francisco Lázaro que se deu a partida para o XIII Memorial Francisco Lázaro. Prova organizada pela Junta de Freguesia de Benfica e Clube de Futebol Benfica, com apoio técnico da Xistarca, que pretende homenagear o mítico atleta.

É uma prova difícil, de percurso exigentemente acidentado pelos meandros de Monsanto, a convidar a cautelas e estratégia na gestão do esforço. Não me quero repetir numa ladainha constante sobre provas duras e percursos difíceis, mas quem já correu em Monsanto sabe a que me refiro. As visíveis dificuldades da atleta segunda classificada da geral feminina, que tombou sem forças a poucos metros da meta e que teve de se arrastar até concluir a prova, também o comprovam.

Aquele pedaço do percurso entre os quilómetros 4 e 6 é particularmente duro e desafiante. Mas, assim como se sobe, também se desce, e a partir daí a descida é longa e acentuada e conseguimos recuperar muito tempo. Foi com essa perspetiva que delineei a minha prova. Procurei partir bem, sem euforia, mas posicionado entre os 50 primeiros. Tinha visto o mapa do percurso e estava precavido para a fase mais dura da prova. Consegui resistir, embora com algumas dificuldades, e depois foi um voo mais ou menos ligeiro, mais ou menos empenado, até à chegada. Concluí em 29º, com 39’40, simpaticamente incentivado pelo porta-bandeira dos 4’/km, que me incitou a um esforço final na última centena de metros.

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publicado às 14:37

A 1ª Milha do Lago, realizada dia 30 de junho, no Parque da Paz, em Almada, com organização do Clube Pedro Pessoa – Escola de Atletismo, foi a última prova do Troféu Almada de Atletismo “Mário Pinto Claro”.

Para um ano atípico, decisões atípicas, provas atípicas e resultados atípicos. Com os últimos meses dedicados à escrita e pouco direcionados para grandes aventuras de corrida, dei por mim a colecionar provas de troféus locais a poucos quilómetros de casa. Opções inimagináveis há uns meses, como a Milha, mas consistentemente inevitáveis hoje. Assim, nada melhor do que concluir a época competitiva com uma prova nesta distância a mais ou menos um quilómetro de casa, no parque da cidade onde mais treinos tenho feito.

Conhecia perfeitamente o percurso, embora não o trilhe com regularidade, pois esquivo-me ao empedrado na zona de partida e chegada. Sabia que teríamos uma saída rápida, uma seleção na áspera subida que se prolonga até quase metade do percurso e que a partir daí era praticamente sempre a descer até à meta. Sabia também que a velocidade com que decorre uma prova de Milha não permite grande gestão. Por isso, é necessário partir rápido e tentar manter a posição, pois já percebi que pode não existir tempo para recuperações.

Numa série que juntava veteranos II e III, parti na linha da frente, procurando manter-me entre os primeiros dez praticamente desde o início. Sabia que não tinha quaisquer hipóteses face a alguns participantes, mas tencionava alcançar uma classificação razoável. Como esperado, depois da primeira curva, com a chegada dos primeiros metros a subir, a seleção foi sendo feita. Os candidatos à vitória descolaram e demonstraram claramente que nós, os outros, ainda temos muito que evoluir, mas percebi que no meu escalão apenas tinha um atleta à minha frente. Segui assim, em esforço até aos 0,76km, quando atingíamos o ponto mais elevado do percurso. A partir daqui era destravar os músculos moídos pela subida e acelerar tanto quanto possível por uma distância praticamente equivalente. Bastante fácil na teoria, consideravelmente mais difícil na realidade.

Assim que começamos a descer iniciam-se os “ataques”. Sinto vários atletas a aproximar-se e alguns começam a ultrapassar-me. Parece fácil por estarmos a descer, mas a descida prolonga-se por 0,75km até à curva para a meta. Por isso, não é fácil manter um ritmo muito elevado durante toda a distância. Acompanho o atleta que me ultrapassou. Sinto que cedemos ligeiramente e percebo uma nova ofensiva de dois atletas do Clube Pedro Pessoa, que nos ultrapassam na fase final da descida. Penso que preciso apenas de alguns segundos de recuperação, antes de desferir uma aceleração final à entrada da curva para a meta. Consigo fazê-lo, ultrapasso o meu parceiro de descida, mas já os dois do Pedro Pessoa estão inalcançáveis. Um deles é do meu escalão e acabo por concluir em terceiro, com 5’38.

Ponto final. A sétima prova do Troféu Almada de Atletismo “Mário Pinto Claro” encerra a época almadense de 2018-19. Foi uma temporada consistente. Sem grande talento, chego uma regularidade atípica de participações e resultados: dois primeiros lugares, um segundo, três terceiros e um quarto, no pleno de participações. É inédito.

A partir de outubro haverá mais. Mas é necessário corrigir alguns aspetos neste troféu para o colocar ao nível de outros, nomeadamente aumentar ligeiramente o número de provas: não terá sentido fazer, como noutros locais, um troféu com dezena e meia de competições, mas duas ou três mais ajudavam a compor o leque. Também seria positivo não deixar que existam intervalos tão grandes entre algumas provas. Ao fim de dois ou três meses sem nenhuma prova já ninguém se lembra do Troféu. Por fim, o mais fundamental: organizar uma página online com todos os regulamentos e classificações, de modo a aumentar a transparência dos resultados. Não tem sentido não existir uma página pública com esta informação.

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publicado às 10:31


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