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Fora da linha na Corrida da Linha

por JL, em 22.10.19

Correr um trail de 17 km num dia e participar numa corrida de estrada de 10 km no dia seguinte. Quem não? Escrevi aqui que enquanto andava indeciso sobre a minha ida ao Miróbriga Trail Run participei num passatempo e ganhei um dorsal para a Corrida da Linha. No entanto, acabei por ir à prova alentejana. Por isso, invertiam-se as circunstâncias e comecei a pensar em não ir a Cascais. Mas pareceu-me uma falta de respeito não participar numa prova em que ganhara um dorsal que poderia ser útil a outro atleta.

Por isso, na manhã de 15 de setembro dei por mim em Cascais a fazer o aquecimento e a prometer a mim mesmo que iria correr num ritmo moderado. Ao fim do terceiro quilómetro, o relógio marcava uma média de 3’55/km e estavam completadas duas das subidas mais difíceis do percurso. Como diz a sabedoria proverbial: “Promessas leva-as o vento”.

A terceira subida mais complicada vinha no quilómetro seguinte, que já foi corrido a 4’01/km. Mas depois de nova aceleração no quinto quilómetro, o estoiro deu-se no sexto (4’09/km). Escusado dizer que apesar da marginal se abrir numa vastidão plana à minha frente, as pernas não queriam responder. Reuni todas as forças para aumentar o ritmo nos dois quilómetros seguintes, mas voltei a ceder no nono (4’08/km), antes de um último suspiro de aceleração final, que me assegurou um tempo de chip de 40’33. Segundo o relógio, a prova terá mais uma centena de metros do que os 10 quilómetros. Deu para concluir em 47º, uma prova que teve Avelino Eusébio (31’02) e Helena Miranda (40’00) como vencedores.

Felizmente, apesar do desgaste, tudo correu bem e terminei sem problemas físicos, mas sei bem que arrisquei demasiado ao fazer duas provas em dois dias consecutivos. Não terei sempre a mesma sorte. No entanto, fica a certeza de que a Corrida da Linha é prova para regressar e tentar fazer uns tempos engraçados.

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publicado às 10:02

Há muito que tudo estava planeado. Dia 14 de setembro marcava o meu regresso a Santiago do Cacém para participar na 6ª edição do Miróbriga Trail Run - Inatel. Era a minha terceira participação, depois de uma estreia em 2016, naquela que foi a minha primeira experiência de trail, com 1:45:06, e de um regresso em 2018, com 1:39:11, que me garantiram um quarto lugar no escalão de Veteranos III, premiado com uma bela garrafa de azeite.

Este ano, muito cedo determinei que iria regressar a esta prova, que me encanta pela paisagem, ambiente e competitividade, mas que tem também um significado especial por representar um regresso às origens. Assim, depois de uma breve hesitação entre uma inscrição no Tail curto, de 17 km, ou no Trail Longo, de 29 km, decidi-me sensatamente pelo primeiro, por considerar que a meio de setembro poderia não estar na melhor forma para encarar umas exigentes quase três dezenas de quilómetros na Serra.

Claro que por mais detalhados e antecipados que sejam os planos, existem sempre muitas probabilidades de que não batam certo. De repente, existiam em Lisboa, nesse fim-de-semana, uma série de atividades que não queria perder, estava agendada a cerimónia de entrega de prémios do Troféu Atletismo Mário Pinto Claro e até tinha ganhado um dorsal para outra prova que decorria no dia seguinte. Por isso, a poucos dias da tão aguardada data ainda andei a ver se o regulamento permitia a transferência de dorsal, de modo a renunciar à minha viagem ao Alentejo e a ficar pelo conforto da área metropolitana. Como não era permitida essa transferência e também já estava prometida uma visita familiar, tratei de delinear um plano absurdo: visitar a família na sexta-feira, competir no sábado de manhã, fazer nova visita familiar à tarde e viajar de regresso a Lisboa. No dia seguinte, competir de manhã em Cascais, participar à tarde na cerimónia de entrega de prémios do Troféu Atletismo Mário Pinto, e regressar a Lisboa à noite para assistir a um espetáculo. Um programa sensato, portanto.

Antes de me fazer à estrada com estas ideias na cabeça, ainda descobri que a equipa da FFPMU - Federação da Família para a Paz Mundial e Unificação estava a precisar de um atleta para completar a equipa e disponibilizei-me para correr por eles. A FFPMU costuma disponibilizar online algumas das melhores fotos de provas que conseguimos encontrar. Daí que a oportunidade de os representar neste trail era uma excelente oportunidade de eu próprio agradecer essas mesmas imagens.

Assim, sem mais delongas, dia 14 de setembro lá estava na linha de partida disposto a fazer o melhor possível. Quem já correu em trails em Santiago do Cacém ou Grândola sabe bem que não são provas fáceis e que a ideia de que o Alentejo é plano não revela muita atenção à paisagem. Ao longe, já dá para ver uns cerros bem alevantados, mas então quando estamos a tentar correr em cima deles é que as pernas percebem bem o que custa subir aquelas ladeiras empinadas.

A prova começa dentro da cidade, mas aponta logo em direção ao Cerro da Inês, onde fica o depósito da água e um miradouro, que nos deixa imediatamente sem fôlego. Depois desta prova de seleção, regressamos à cidade, onde permanece o sobe e desce, inclusive com visita ao castelo. Apenas no quilómetro 7 conseguimos verdadeiramente correr a ritmos mais elevados, aproveitando a descida que nos leva de volta para o campo. Os quilómetros 10 e 11, em plena serra, são os mais exigentes, obrigando-me a descer para ritmos acima dos 8’ e dos 7’/km. Até que passamos pela Aldeia dos Chãos e já sabemos que o caminho começa a apontar para os vestígios arqueológicos de Miróbriga. Neste momento, faltavam apenas cinco quilómetros, maioritariamente mais planos do que o percurso antecedente. Assim, é hora de acelerar para ritmos abaixo dos 5’/km, com alguns ligeiros tropeções na zona de Miróbriga, e arrancar em direção à meta. Fechei com 1:39:30, assegurando o 24º lugar da geral e o 2º lugar no escalão de Veteranos III. Ou seja, repeti a posição da geral no ano anterior, mas subi dois lugares no escalão.

Rui Baião, do Juventude Atlético Clube, venceu, pela terceira vez consecutiva, o Trail Curto, com 1:18:59, enquanto que Ana Lourenço, do NDC Odemira, com 1:38:00, repetiu o triunfo do ano passado no setor feminino. Este ano, o Miróbriga Trail Run teve uma prova longa, com 29 km, cujos estreantes vencedores foram Tiago Rovisco, do Outdoor Clube de Setúbal, com 2:24:51, no setor masculino, e Carmen Henriques, do Run and Smile, com 3:07:42, no setor feminino.

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publicado às 16:42

107 camaradas

por JL, em 01.10.19

Digam 107. Três dígitos. Foram 80 atletas e 27 caminhantes. Os números impressionantes que, somados, revelam o total de participantes na Corrida da Festa do Avante que envergaram a camisola verde de A Natureza Ensina. Foi mais uma jornada de clorofila que irrompeu nas ruas da Amora e do Seixal.

Para a história fica ainda um sexto lugar, por equipas, com 267 pontos, entre 55 equipas completas. Carlos Arieiro (28º), Bruno Loureiro (51º), Alexandre Tiago (57º), Carlos Cerqueira (63º) e José Neves (68º) completaram o quinteto que assegurou os excelentes resultados coletivos. Em femininos, Dina Oliveira alcançou ainda o triunfo em veteranas II.

Na geral, Nelson Cruz, do Clube Pedro Pessoa, somou seu quarto triunfo na prova, com 34:59, enquanto que Joana Fonseca venceu em femininos (40:50). Por equipas, triunfou o Vitória de Setúbal, com 28 pontos. A classificação individual e coletiva está disponível em joaolima.net, onde também é possível encontrar um historial dos vencedores desta competição e, desde 2005, as classificações completas.

No entanto, o mais importante na Corrida da Festa, realizada este ano no dia 8 de setembro, é representar um retorno à competição depois da paragem de Verão. É sobretudo isso. Uma oportunidade para reencontrar muitas caras conhecidas e voltar a sentir um pouco de adrenalina competitiva, ao mesmo tempo que se desenferrujam os músculos. Assim foi para mim também.

Pessoalmente, foi um debilitado regresso às provas. Depois de um Verão inconstante em que ficaram por conhecer a luz do dia mais treinos planeados do que aqueles que efetivamente tiveram a oportunidade de visitar o mundo cruel, dei por mim enganado a pensar que afinal não estava assim tão mal, ao fim de meia-dúzia de treinos mais conseguidos. Mas a montanha-russa da vida encarregou-se de me desafiar com uma ligeira gripe a meio da semana que precedeu a prova. Quatro dias parado com dores de garganta, espirros e fungadelas, mais uma jornada de viscosidades dignas de um qualquer filme constante do programa do festival de cinema de terror MOTELX e chego a Domingo amarfanhado e fatigado por uma noite quase sem dormir.

Por isso, depois da inicial jornada de reencontros e confraternização, tratei de fazer a prova com cuidado e sem as pouco aconselhadas euforias iniciais. Parti lentamente, embrulhado no meio pelotão, completando o primeiro quilómetro em 4’50. Depois, aproveito o desanuviamento para acelerar até uma média final de 4’20.  Com exceção de uma ligeira aceleração numa zona de descida, no Seixal, todo o percurso foi realizado entre 4’14 e 4’20. Acabou por ser uma agradável jornada de corrida, apesar da semana antecedente não ter ajudado.

Certezas não temos, mas a Corrida da Festa surge como uma excelente possibilidade de regresso à competição depois das férias de Verão, no próximo ano. Veremos se se confirma.

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publicado às 12:18


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