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A centésima

por JL, em 19.03.19

Faz três anos no próximo dia 20 de março, mas recordo-me como se fosse hoje. Ali estava eu, na Praça da Portagem da Ponte 25 de abril, com um boné branco na cabeça, calções, t-shirt e uns Downshifter 6 nos pés, perplexo e rodeado por uma multidão buliçosa, que erguia simultaneamente os braços de cada vez que o speaker os incitava a isso.

Três meses antes, oferecera-me pelo Natal uma inscrição na Mini-Maratona Vodafone. É assim uma daquelas coisas de que nos lembramos e não sabemos muito bem porquê. Uma experiência. Uma curiosidade. Um desafio. Dois meses de treino no ginásio com constante insistência nas passadeiras e ali estava na crueldade do mundo real, com a garganta a arranhar, depois da constipação da época, a tropeçar em mim, no meio daquela massa humana que se deslocava lentamente em direção à linha de partida. Depois, foi correr, na medida do possível, colocando um pé à frente do outro até chegar aos Jerónimos com a sensação de que tinha pulmão e pernas para mais.

Tanto assim foi que depois continuei. A correr. Tanto ou tão pouco, que chegou a vez da centésima. A contar com todas, mesmo as não cronometradas como a Corrida da Liberdade, que fiz três vezes, são duas maratonas, uma ultra, 13 meias-maratonas, quase três dezenas de 10 km, dois 20 km, vários trails, algumas léguas, e muitas diversas mais… São 100 provas contabilizadas.

Foi por isso com alguma emoção que regressei no domingo à casa partida. Na 29ª EDP Meia Maratona de Lisboa. Na mesma Praça da Portagem da 25 de abril. Confesso que apesar de ter sido a escolha para a primeira vez, acabei por não me tornar um grande fã desta prova. São demasiados atletas e faltam blocos de partida, o que faz desta prova um ziguezague constante e desgastante durante os primeiros quilómetros. Por isso, este ano decidi aproveitar o bom tempo para chegar mais cedo e tentar partir mais próximo da linha da frente. Uma opção salutar, que facilitou bastante a progressão. Ainda assim, só perto do primeiro quilómetro se consegue uma verdadeira estabilização, mas a partir daí foi perfeitamente possível assegurar um ritmo constante.

Há três meses, havia conseguido um registo bastante positivo nos Descobrimentos, com uma prova em negative split. Com os primeiros dois terços em registos próximos de 4’10/km e os sete quilómetros finais em 4/km numa prova invulgarmente bem gerida para o pouco que consigo fazer. Para a Meia de Lisboa pretendia fazer algo semelhante, mas sabia que a preparação não era a mesma. Assim, após o tortuoso primeiro quilómetro a 4’40/km, aproveitei a descida para Alcântara para recuperar algum tempo e consegui estabilizar em 4’10/km. No entanto, desta feita a preparação não me permitiu a aceleração final, pelo contrário, e acabei por concluir com um tempo de chip de 1:27:29. Bastante bom para aquilo que eram os meus registos não há muito tempo, mas relativamente amargo face aos desenvolvimentos mais recentes. Fica a sensação de que numa fase melhor e mais bem preparado poderia ter feito pelo menos um minuto a menos. No entanto, acredito que não faltarão oportunidades até estar a comemorar a milésima!

Classificação final no website da organização e historial de resultados em JoaoLimaNet.

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publicado às 16:42



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