Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Correr mais verde

por JL, em 27.01.19

 

Existem coincidências curiosas. Às quais gostamos de atribuir significados. A minha primeira prova com a camisola verde da associação “A Natureza Ensina” foi hoje a 4ª Eco-Run D. Paio Peres, a contar para o 32º Troféu de Atletismo do Seixal. Por outras palavras, uma dupla estreia na única equipa de clube com génese ambiental na única prova do Troféu com designação eco.

A singularidade deste facto remetia-me imediatamente para derivações sobre outras terminologias recentemente adotadas no running, como as designações “Evento verde” ou “EcoX”, que algumas empresas organizadoras de provas têm associado recentemente às suas provas. Ou seja, o verde parece estar entre as preocupações do universo de atletas, empresas e outras instituições ligadas ao running, sendo estes designativos o reconhecimento do impacto ambiental dos eventos desportivos, nomeadamente porque “têm implicado a utilização de materiais plásticos e de embalagens em grandes quantidades”, consumo de papel e desperdício de água, além de problemas de mobilidade e de emissão de dióxido de carbono.

Além de simples pedagogia social, procurando que as mensagens transmitidas produzam um impacto positivo na sociedade, as empresas organizadoras de provas anunciam um conjunto de medidas como folhetos promocionais em papel reciclado, envelopes com chips e dorsais no mesmo tipo de papel, utilização de carros elétricos, recolhas seletivas de lixo com ecopontos e disponibilização de pontos de água para reabastecimento. Em simultâneo, solicitam aos participantes a promoção de comportamentos mais ecológicos, como levantar os dorsais com comprovativo eletrónico em vez de papel, levar um saco reutilizável para recolher o kit, levar uma garrafa de água, depositar o lixo nos caixotes, partilhar transportes ou usar transportes públicos. Tudo medidas salutares, umas mais válidas do que outras, que convidam a uma progressiva mudança de comportamentos. Mesmo que o impacto efetivo das medidas seja certamente insuficiente, a transmissão destas mensagens terá sempre um efeito entre aqueles que as recebem, podendo ser um importante contributo para a mudança necessária.

Daí que aplauda sem reticências a postura de entidades organizadoras e aproveite para dar uma modesta achega em relação à recolha de plástico durante as provas. Tem-se observado, cada vez com maior frequência, a presença de ecopontos de recolha de plástico próximos das zonas de abastecimento de água. Uma medida positiva, mas demasiado circunscrita espacialmente. Para muitos atletas, especialmente em dias de maior calor, não é bastante dar um ou dois goles de água num intervalo de uns 50 metros, tendo de levar consigo a garrafa durante um intervalo de percurso, e esses não voltam a encontrar nenhum ecoponto, a não ser que exista um ponto de abastecimento. Assim, seria uma medida bastante válida a colocação de ecopontos em pontos intermédios, por exemplo a 2km a 2,5km do abastecimento, permitindo que os atletas se desembaraçassem dos recipientes que ainda possam ter na sua posse sem terem de os arremessar para o chão. Enfim, fica a ideia.

De novo de regresso à 4ª Eco-Run D. Paio Peres, organizada pelo Grupo Futsal Amigos da Encosta do Sol, para dizer que pessoalmente a prova não tem muito para contar. Partia no grupo que agregava os escalões de veteranos II, III e IV, e sabia que tinha pela frente três voltas grandes, num total de 4450 metros, sem grandes aspirações competitivas. Integrado num escalão com ótimos atletas, contava concluir entre 10º a 15º, com esperança de amealhar alguns pontos, devido aos participantes que contavam para a prova, mas que não estão inscritos para o Troféu Seixal.

Assim, apesar de uma partida um pouco rápida de mais, ao final da primeira volta tinha-me arrumado atrás dos atletas dos lugares cimeiros, que sabia nunca conseguir alcançar, tentando manter-me nas posições imediatamente subsequentes. Algo que foi sendo conseguido, embora com mais esforço do que previra. Entre dois lugares ganhos e dois perdidos, o segundo deles na última subida, ainda tentei recuperar a posição na descida para a meta, com o sprint possível com umas pernas que nunca se deram bem com a velocidade, chegando a impensáveis 2’50/km, mas insuficientes para a resposta do outro atleta. Ainda assim, as contas ficaram acima das expectativas. Afinal, conseguira ser 9º classificado no escalão de veteranos III, alcançando uns inesperados 7 pontos no Troféu. Resultado acima das previsões.

Para a semana há mais, com o 8º Corta Mato do Núcleo de Naturais e Amigos da Vila de Cabeço de Vide, no Parque do Serrado, Amora. Mais uma vez uma prova num tipo de piso que me agrada, pelo menos enquanto não chove, embora tenha sido avisado que os desníveis são mais acentuados e prolongados.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:34



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mensagens


Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D