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Nos últimos dois anos, tenho preparado o ano de running em torno de um conjunto de três ou quatro provas que seleciono com antecipação, ajustando depois as restantes em função destes objetivos. Nem sempre decorreu como planeado, aliás na maioria da vezes, mas vale a benévola intenção. Em 2018, preparei a época em torno da Meia Maratona do Ultra-Trail de São Mamede (22km), Ultra-Maratona Atlântica Melides – Tróia (43km) e Maratona de Lisboa. Este ano decidi-me pelos 20 km da Marginal, Meia-maratona da Lisbon Eco-Marathon (21km) e Maratona do Porto. Objetivos mais modestos, pois o tempo não é elástico, mas igualmente duas estreias e um regresso.

Não quer dizer que sejam as provas mais longas, nem sequer são aquelas em que tenho maiores ambições competitivas. São apenas vértices de organização em torno dos quais procuro fazer a gestão dos ritmos de treino da temporada. Por exemplo, em 2018 investi em alguns trails e provas de praia, como o Corre Praia, Meia Maratona Analice Silva, Wine Trail Ervideira, Trilhos da Malaposta, ao mesmo tempo que prolongava os treinos, de modo a preparar as duas primeiras. Depois, no Verão voltei a investir mais no treino de estrada, antes da Maratona de Lisboa.

Toda esta conversa apenas para dizer que a primeira etapa desta época, os 20 km da Marginal tiveram lugar no passado domingo, deixando-me com um sentimento agridoce. Esta foi apenas uma segunda participação. Em 2017, depois de alguma loucura competitiva em março e no início de abril, tive de parar algum tempo para recuperar e cheguei aos 20km da Marginal mais embalado pelo descanso do que pelos treinos. Completei o percurso com 1:30:50. Mais tarde, ainda nesse ano, regressei à mesma distância em Almeirim, com um terrível resultado (1:36:17), que ainda quero explorar aqui numa série de short-stories, inspiradas em Edgar Allan Poe, sobre as piores e mais tenebrosas experiências competitivas que enfrentei: cansaço, lesões, equipamento desadequado, etc. Narrativas de suspense e terror, com a promessa de serem verdadeiramente arrepiantes.

Mas, este ano, como ando a circular mais rápido, tracei como meta um tempo pelo menos abaixo de 1:25:00. Claro que se não tivesse estado noutra prova no dia anterior, a ambição poderia ser outra, mas insensato é uma espécie de middle-name que me acompanha ao longo da vida… Mesmo assim, quando na partida, encontrei o Paulo, que corre na Natureza e Ensina e também no Clube Amigos do Parque da Paz, e que está a preparar a Maratona de Aveiro (que por isso sensatamente não esteve na Milha Urbana de Corroios), eu ainda estava convencido de que teria capacidade para ignorar as dores musculares que senti durante o aquecimento e que poderia conseguir um registo a 4:10/km. Aliás, na breve troca de palavras que tivemos, fiquei convencido de que ele pretendia treinar um pouco abaixo deste ritmo e assumi uma partida mais à frente.

Mas o desenrolar da história inverteu os papéis dos protagonistas. Ao quilómetro dois estávamos lado a lado e o relógio marcava os 4:10/km que previra. Seguimos assim até próximo do quilómetro 10, quando comecei a sentir novamente dores musculares. Ele, em excelente forma, aumentou ligeiramente o ritmo, e eu, superlativamente “empenado”, comecei a quebrar um pouco. Assim, rapidamente se desenhou um fosso de algumas centenas de metros. Ao quilómetro 12 estava a sentir-me melhor, procurei recuperar, mas ao aproximar do Alto da Boa Viagem já o tinha perdido de vista novamente. Completei a subida em esforço e verifiquei que o relógio assinalava 4:11/km de média. A partir daqui, com um percurso muito mais acessível, seria possível recuperar algum tempo se o corpo deixasse. Entre os 16 e os 17 quilómetros ainda estive junto de alguns atletas, num ritmo entre 3:52 e 3:58/km, mas a partir daqui senti uma quebra assinalável, sem força, desacelerei bastante e acabei fazer o último quilómetro a um ritmo bastante lento, na casa dos 4:15/km. Não se pode classificar de mau um tempo de 1:24:30 para alguém que retirou seis minutos ao melhor que tinha feito nesta prova. Mas, atendendo a alguns tempos mais recentes, acredito que era possível fazer melhor… Ou talvez não. As classificações estão disponíveis no website da organização.

Não digo “nunca mais”, nem que retire daqui alguma lição, pois já antecipava para as minhas pernas o natural efeito do excesso da véspera, mas retirei dividendos de uma outra experiência complementar a esta. Ao terminar a prova, completamente escangalhado, com a perna esquerda a doer e a parecer mais curta do que a outra, convenci-me facilmente de que valeria a pena juntar-me à fila para as massagens do GFD Running. Foi uma espera longa e, por vezes, desesperante, mas recompensada por uma igualmente longa e impecável massagem, que me deixou descontraidamente leve, a caminhar tão suave e relaxadamente como se toda a cidade de Lisboa tivesse sido generosamente alcatifada como muitas das nossas casas em meados dos anos 80. Um obrigado especial aos excelentes profissionais do GFD Running que ali estiveram pacientemente a remediar os desarranjos musculares de uma horda de corredores aflitos. Cinco estrelas!

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publicado às 14:31


5 comentários

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De MJP a 16.04.2019 às 14:51

Parabéns pelo post... gostei muito de o ler!
Parabéns, também, pela força e determinação que demonstra!
Dia Feliz!
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De JL a 16.04.2019 às 15:31

Obrigado.
Igualmente, um dia feliz!
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De MJP a 16.04.2019 às 15:32

Obrigada!
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De Anónimo a 17.04.2019 às 08:58

Parabéns, gostei.
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De JL a 17.04.2019 às 23:53

Obrigado

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