Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Portas abertas para a maratona

por JL, em 20.11.19

No ano passado, o Grande Prémio da Cruz de Pau teve um desfecho inesperado depois de um episódio rocambolesco a meio da prova. Parte do percurso decorre dentro do recinto da Festa do Avante. Contudo, nessa edição esqueceram-se de abrir o portão de saída, tendo os atletas da frente ficado retidos alguns minutos dentro recinto, desvirtuando-se totalmente a classificação. Em protesto, a partir desse ponto os participantes seguiram agrupados até à meta, tendo sido anulados os resultados da prova.

Para mim, esse foi um desfecho maçador. Tinha feito a Maratona de Lisboa, sentia-me em boa forma, e, no momento em que a prova foi interrompida, ainda estava próximo do grupo da frente. Aliás, penso que até esse momento era a prova do Troféu de Atletismo do Seixal que melhor me estava a correr.

Por isso, este ano, apesar de estar a salvaguardar-me para a Maratona do Porto, guardava uma certa vontade de desforra. Consciente destes sentimentos pouco recomendáveis para a devida gestão pré-maratona, arrumei-me no final da zona de partida, completamente cercado por todos os lados, sem quaisquer possibilidades de aceleração. Assim, mais não pude fazer do que correr lentamente nos primeiros metros até um ponto mais desafogado. Sabia que não me deveria exceder, para não me desgastar desnecessariamente antes da maratona. Bem pensei, mas pouco cumpri. Não que tenha entrado em loucuras ou acelerações excessivas, mas os 31’45 apontam para um ritmo que ultrapassa largamente o meu objetivo inicial. Vale pelo 6º lugar no escalão e pelos pontos que significa para A Natureza Ensina no Troféu de Atletismo do Seixal.

No entanto, o objetivo era outro e estava aí à porta: a 17ª Maratona do Porto.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:45

Em 2018 fiz o prova curta do Trail da Costa Vicentina ainda com as pernas bambas da maratona da semana anterior apenas por não querer faltar a uma prova que me dizia muito, por se disputar no litoral alentejano por vários locais da minha infância. Mas assumi nessa hora que este ano estaria no Cercal, na linha de partida para o Trail Médio.

Tive por isso de abdicar da Maratona de Lisboa e trocá-la levianamente pela Maratona do Porto, mas assegurei que não faltava a este trail. A minha família é do Cercal e na infância passei longas férias de Verão em casa da minha avó. Quando descobri que o percurso deste Trail Médio passava à porta dessa casa da minha infância, decidi que tinha de o fazer pelo menos uma vez. Assim, em março já andava a teclar o meu nome nas inscrições e a pagar a referência no multibanco. Esta era uma certeza.

No entanto, à medida que os meses passaram, este significativo projeto pessoal foi-se transformando noutra coisa, sem nunca perder o seu primeiro significado. O Ricardo tem andado a projetar uma equipa de trail para A Natureza Ensina e acabou por apontar baterias para o Trail da Costa Vicentina como um ensaio para a equipa. Assim, de um momento para o outro, o meu projeto pessoal estava a transformar-se num objetivo coletivo: fazermos uma boa prova na classificação por equipas.

Eu, o Ricardo e o Nelson constituíamos a equipa. Um dia antes da prova, o Ricardo pediu a alteração de inscrição do Nuno, para passar a integrar a equipa ANE. Na noite anterior verifiquei e constávamos os quatro como se pretendia.

Assim, depois de mais uma semana atribulada, na madrugada de dia 13 de outubro ali estava eu, moído por uma longa viagem, a desejar um pouco de descanso naquelas próximas horas, quando tivemos o primeiro desapontamento. O Nelson, que andava com problemas físicos nas duas últimas semanas, não se sentia em condições e decidiu não participar. Restava eu e o Nuno para nos juntarmos ao Ricardo e um único carro, que me obrigava à indesejada condução. No entanto, tínhamos três atletas, o que nos permitia participar na classificação coletiva. Era o mais importante.

O que dizer da prova? Partimos do Largo dos Caeiros em direção ao jardim e à sede do Sociedade Juventude Cercalense, atravessámos a rua onde vivia a “Tia Madalena” e dirigimo-nos para a “Rua Velha”, onde o meu pai e os meus tios cresceram. Depois de uma incursão pela zona circundante de quintas, onde rolámos excessivamente rápido, regressámos ao Cercal, que cruzámos aceleradamente em direção ao velho lavadouro e ao caminho que sempre chamámos “azinhaga”. Passámos ao lado do portão da quinta que foi da minha avó e seguimos para a zona da Mandorelha.

Ia em 13º num grupo de quatro atletas, quando deixei cair um gel e me pareceu ter deixado cair mais alguma coisa. A paragem deixou-me irremediavelmente atrasado. Continuei isolado, sempre apostado em tentar chegar-me a algum dos 12 da frente que estivesse mais para trás. Somente na zona da Cabeça da Cabra consegui apanhar o primeiro e um pouco mais à frente, já no caminho para a Ilha do Pessegueiro consegui ultrapassar um segundo, chegando ao 11º lugar. Foi glória efémera. Ainda antes de pousar os pés no areal do Pessegueiro, fui ultrapassado por dois outros atletas, que se haviam reservado para esta ponta final.

Lá estava eu a entrar pela praia da minha infância, sem qualquer tempo para a contemplar, atrás dos dois que galgavam o areal com as forças que eu já não tinha. Julgo que foi pouco mais do que um quilómetro, mas foi o bastante para ficar irremediavelmente atrasado. A areia da praia, muito mais solta do que aquela que encontrara na Costa da Caparica, deixou-me as pernas moídas. Ao sair do areal mal conseguia correr e o facto de partilharmos singletracks com os participantes no Trail Curto mais atrasados também não ajudava a recuperação. Por isso, restava-me reunir forças apenas para não perder posições.

Quem conhece o Trail da Costa Vicentina sabe que o final nos reserva uma descida até à Praia da Baía de Porto Covo, que precede a necessária subida até ao centro da vila. É aquele momento em que parece que os músculos já não respondem e que inevitavelmente teremos de ficar estáticos a meio da subida. É uma sensação pavorosa. Depois, lá em cima, parece que finalmente as pernas respondem ao cérebro e corremos, melhor ou pior, em direção à meta.

No fundo, sem ser um trail técnico, a passagem pelo areal acaba por fazer mossa e o 13º lugar final pareceu-me de ouro. O Ricardo terminou em 21º. Mas, infelizmente a organização acabou por não incluir o Nuno como nosso elemento e não contámos para a classificação coletiva. Uma situação inexplicável e frustrante, que veio manchar uma jornada que tinha sido bastante positiva. Veremos se haverá mais para o ano.

 

Classificações e vencedores:

Trail Longo: Rui Sequeira, 4:28:46 e Inês Peixoto, 6:07:11

Trail Médio: Carlos Papacinza, 1:41:05 e Inês Jordão (Monsanto Running Team), 2:01:17

Trail Curto: Fábio Silva (GDR S. Francisco da Serra), 57:50, e Filipa Vieira, 1:14:10

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:50

Este ano, A Natureza Ensina organizou mais uma presença da “onda verde” na Bimbo Global Energy Race e eu, habitual participante nesta prova, decidi avançar para a minha quarta presença. Foram 34 atletas que levaram a camisola verde vestida no percurso entre a Ribeira das Naus e a Avenida da Índia.

Depois da intempérie pessoal do fim-de-semana anterior, fiz de tudo para me guiar ‘by the book’, cumprindo os treinos, tempos de descanso e ritmos de corrida. À partida, alinhavei uma estratégia simples e segura: partir junto da bandeira dos 4’/km, seguir a par, independentemente de tudo até aos 5 km, e a partir daí, se me sentisse bem, acelerar um pouco na segunda metade. Assim foi. Sem o mínimo desvio. Arranquei controladamente, mantive-me a par da bandeira como projetado e mesmo quando senti o impulso para acompanhar um colega de equipa que acelerou por volta do quarto quilómetro, refreei-me e cumpri escrupulosamente o objetivo para a primeira légua. Ao contornar o ponto de retorno estava livre para fazer o que quisesse e acelerei de modo equilibrado. Fiz os 5 km finais entre 3’46/km e 3’56/km, com o quilómetro mais lento a ser equivalente ao quilómetro mais rápido da primeira metade.

Se bem o pensei, melhor o fiz. Foi uma prova de uma exemplar monotonia, mas agradável por essa mesma tranquilidade. Na verdade, talvez pelos excessos do fim-de-semana anterior, nunca me senti com energia para grandes acelerações e limitei-me a cumprir o estipulado.

A Global Energy Race é uma prova internacional que decorreu simultaneamente em 36 cidades de 22 países, com apoio do grupo Bimbo e das suas marcas, que doarão mais de um milhão de fatias de pão. Em Portugal, este ano, a Fundação o Século foi a instituição apoiada.

A nível competitivo foi vencida pelo sportinguista Paulo Pinheiro (30’35) e por Margarida Dionísio, da ACR Senhora do Desterro (37’31).

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:48

107 camaradas

por JL, em 01.10.19

Digam 107. Três dígitos. Foram 80 atletas e 27 caminhantes. Os números impressionantes que, somados, revelam o total de participantes na Corrida da Festa do Avante que envergaram a camisola verde de A Natureza Ensina. Foi mais uma jornada de clorofila que irrompeu nas ruas da Amora e do Seixal.

Para a história fica ainda um sexto lugar, por equipas, com 267 pontos, entre 55 equipas completas. Carlos Arieiro (28º), Bruno Loureiro (51º), Alexandre Tiago (57º), Carlos Cerqueira (63º) e José Neves (68º) completaram o quinteto que assegurou os excelentes resultados coletivos. Em femininos, Dina Oliveira alcançou ainda o triunfo em veteranas II.

Na geral, Nelson Cruz, do Clube Pedro Pessoa, somou seu quarto triunfo na prova, com 34:59, enquanto que Joana Fonseca venceu em femininos (40:50). Por equipas, triunfou o Vitória de Setúbal, com 28 pontos. A classificação individual e coletiva está disponível em joaolima.net, onde também é possível encontrar um historial dos vencedores desta competição e, desde 2005, as classificações completas.

No entanto, o mais importante na Corrida da Festa, realizada este ano no dia 8 de setembro, é representar um retorno à competição depois da paragem de Verão. É sobretudo isso. Uma oportunidade para reencontrar muitas caras conhecidas e voltar a sentir um pouco de adrenalina competitiva, ao mesmo tempo que se desenferrujam os músculos. Assim foi para mim também.

Pessoalmente, foi um debilitado regresso às provas. Depois de um Verão inconstante em que ficaram por conhecer a luz do dia mais treinos planeados do que aqueles que efetivamente tiveram a oportunidade de visitar o mundo cruel, dei por mim enganado a pensar que afinal não estava assim tão mal, ao fim de meia-dúzia de treinos mais conseguidos. Mas a montanha-russa da vida encarregou-se de me desafiar com uma ligeira gripe a meio da semana que precedeu a prova. Quatro dias parado com dores de garganta, espirros e fungadelas, mais uma jornada de viscosidades dignas de um qualquer filme constante do programa do festival de cinema de terror MOTELX e chego a Domingo amarfanhado e fatigado por uma noite quase sem dormir.

Por isso, depois da inicial jornada de reencontros e confraternização, tratei de fazer a prova com cuidado e sem as pouco aconselhadas euforias iniciais. Parti lentamente, embrulhado no meio pelotão, completando o primeiro quilómetro em 4’50. Depois, aproveito o desanuviamento para acelerar até uma média final de 4’20.  Com exceção de uma ligeira aceleração numa zona de descida, no Seixal, todo o percurso foi realizado entre 4’14 e 4’20. Acabou por ser uma agradável jornada de corrida, apesar da semana antecedente não ter ajudado.

Certezas não temos, mas a Corrida da Festa surge como uma excelente possibilidade de regresso à competição depois das férias de Verão, no próximo ano. Veremos se se confirma.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:18

A natureza em Alhos Vedros

por JL, em 05.08.19

É uma corrida à antiga, este Grande Prémio de Atletismo de Alhos Vedros que, na manhã do dia 27 de julho, somou a XVI edição, com algumas dezenas de coletividades, atletas de todos escalões desde os benjamins aos veteranos e mãos-cheias de gente nas ruas.

Para a prova principal, que reunia todos os escalões de seniores e veteranos femininos e masculinos, A Natureza Ensina levou uma pequena comitiva de 11 atletas dispostos a galgar quilómetros de estrada para ir percorrer os 5,4 km da prova moitense.

Assim, antes das 9h00 já por ali andava animada a trupe de camisolas verdes no protocolar aquecimento e na hora prevista lá nos alinhavamos todos junto ao pórtico, por debaixo de nuvens cinzentas que ameaçavam uma improvável chuva de julho, à espera do aviso de partida.

Apesar de pequena, a comitiva da ANE tinha justificadas aspirações a conseguir alguns pódios e uma classificação coletiva honrosa. Cumpridas as duas voltas ao circuito nas ruas alhos vedrenses, arrumámo-nos na chegada com um segundo lugar, três terceiros e quatro quintos, que ajudaram a alcançar um excelente terceiro lugar por equipas, numa prova dominada pelo CDR Ribeirinho, secundado pelo GDP Chão Duro. Para assegurar esta classificação com uma equipa tão pequena muito contribuiu que mais de 70 por cento dos atletas tenha conseguido concluir a prova nos 5 primeiros dos seus escalões. Uma ótima performance.

Eu, como sempre, fiquei por um nível intermédio em todos os aspetos. Parti atrás da linha de favoritos e, como sempre, geri o esforço enquanto os via à distância num frenesim esgotante. Assinalei o objetivo de rodar abaixo dos 4/km e circulei permanentemente na casa dos 3’45 a 3’55/km, com direito a uma ligeira aceleração no quilómetro final. Com uma gestão de esforço eficiente, ainda ganhei uns 4 ou 5 lugares na segunda volta, mas que de nada valeram em termos de classificação no escalão. Concluí em 5º lugar, com 20’41, ainda com direito a medalha, t-shirt do Troféu e às fotografias da praxe. Nada mau para um fecho de temporada com poucas ambições e completa anarquia de treino.

Uma palavra final para a excelente organização do AtletisMoita – Torneio em Atletismo das Coletividades do Concelho da Moita. São 12 provas, algumas delas bastante conceituadas a nível regional, num calendário relativamente equilibrado e bem distribuído ao longo do ano, sem paragens excessivas, e com uma excelente comunicação. No website do AtletisMoita é possível aceder a toda a informação sobre as competições, com datas, regulamentos e classificações completamente acessíveis a consulta pública, num exemplo de transparência. Qualidades que se devem manter por aqui e que podem e devem ser imitadas por outros troféus.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:05


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mensagens

Posts mais comentados


Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D