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Castelos de areia

por JL, em 11.11.19

No ano passado participei em três provas na praia: Ultra Maratona Atlântica, Corre Praia e Meia na Areia Analice Silva. Mas este ano passei ao lado das duas primeiras e não me sentia entusiasmado com a última. Por uma razão ou por outra não tenho conseguido treinar nesta superfície e por isso parecia-me imprudente competir. No entanto, quis o destino que um amigo meu ficasse impossibilitado de participar na Meia Maratona Analice Silva e me tenha oferecido o seu dorsal para a prova de 10 km, ainda a tempo de fazer a troca de atletas permitida pelo regulamento.

Assim, sem saber muito bem como, dia 28 de setembro lá estava eu a saltitar no areal da Nova Praia, em jeito de aquecimento. A partida foi bastante lenta. Ninguém queria assumir a liderança e acabei por me arrumar a contragosto nesse papel, dividindo-o com dois ou três atletas.

Cerca dos 3 km, apenas eu, o Ricardo Silva e o Nuno Lopes seguíamos na frente. Aos 4,5 km, o Nuno já tinha cedido e as contas faziam-se entre mim e o Ricardo. Decidi fazer um ligeiro "ataque" após a inversão no quilómetro 5, mas ele respondeu bem. Por isso, deixei que marcasse o ritmo e tentei acompanhar. Apesar de estarmos em velocidades que me são confortáveis, nesse dia não me sentia bem. Sentia inclusive algumas dores musculares, além de estar com alergias. Assumi que provavelmente não teria capacidade de reagir a alguma mudança de velocidade e acostumei-me à ideia de terminar em segundo.

Mas como essa ofensiva nunca surgiu e estávamos a entrar no último quilómetro, decidi tentar uma alteração de estratégia. A cerca de meio quilómetro do final iria testar o meu companheiro de fuga com uma aceleração final e ver como ele reagiria. Assim, procurei uma zona de areia mais firme e impus um rendimento mais elevado. Para minha surpresa, ele já não respondeu. Tinha o caminho aberto à minha frente até à meta, mas sentia-me realmente muito cansado. Tive ainda de cruzar uma zona de areia mais solta em direção ao pórtico de chegada, onde as minhas pernas se amotinaram comigo e pensei que ficaria estacado a poucos metros da meta. Contudo lá as fiz ver da ingratidão de semelhante comportamento e convenci-as a ajudar-me em troca da promessa de algum descanso. Deu para chegar antes de desfalecer.

Surpreendentemente, tinha terminado em 1º numa classificação geral. Coisa absolutamente inédita… Motivo para festejar, mas não demasiado. Pois a próxima maré deitará por terra todos os castelos de areia.

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publicado às 15:38

Eu, igual a tantos outros corredores, costumo aqui falar de sapatilhas em contacto com o asfalto da estrada, com a areia da praia ou com a terra batida das singletracks. Nunca sobre o contacto suave com o estrado liso e plano de um palco… Mas há sempre uma primeira vez.

Nunca imaginei que um dia pisaria o palco do Auditório Fernando Lopes Graça, no Fórum Municipal Romeu Correia, em Almada, onde tantas vezes tenho assistido a sessões de cinema e teatro, assim como a alguns concertos. Mas a entrega de prémios do Troféu Almada de Atletismo Mário Pinto Claro reservava-me essa estreia insólita. No passado dia 15 de setembro, atletas e clubes do concelho reuniram-se neste auditório para essa cerimónia.

Desde a plateia, nas cadeiras acolchoadas e confortáveis, não adivinhamos o que é estar ali em cima, com vista para os 232 lugares do auditório. Mas ali estava eu a profanar as tábuas lisas do palco, com pernas tortas e gestos desajeitados, sem a mínima graça ou jeito para a representação, a embaraçar artistas que anos a fio encheram de talento este espaço. Procurei deslocar-me tão discretamente quanto possível, receber a singela medalha e partir de modo igualmente discreto. Na memória fica-me uma imagem fugaz, turvada pela miopia, de outros atletas que dos lugares da plateia se reviam em nós que agora estávamos no palco.

Do troféu não há muito mais a dizer. Foram sete provas, com dois primeiros lugares, dois segundos, dois terceiros e um quarto lugar, que valeram 63 pontos. O Clube de Atletismo Amigos do Parque da Paz (CAAPP), que representei nesta edição do troféu, conseguiu um excelente 3º lugar, por equipas, com 113 pontos, atrás do Amigos do Atletismo da Charneca da Caparica (AACC), com 131 pontos, e do vencedor Clube de Praças da Armada (CPA), com 134 pontos.

Terminada uma temporada, outra se adianta a dar os primeiros passos. A primeira prova do Troféu Almada de Atletismo Mário Pinto Claro 2019-20 será o 3º Grande Prémio de S. Martinho, organizado pelo CPA – Clube de Praças da Armada, no próximo dia 3 de novembro.

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publicado às 14:38

A 1ª Milha do Lago, realizada dia 30 de junho, no Parque da Paz, em Almada, com organização do Clube Pedro Pessoa – Escola de Atletismo, foi a última prova do Troféu Almada de Atletismo “Mário Pinto Claro”.

Para um ano atípico, decisões atípicas, provas atípicas e resultados atípicos. Com os últimos meses dedicados à escrita e pouco direcionados para grandes aventuras de corrida, dei por mim a colecionar provas de troféus locais a poucos quilómetros de casa. Opções inimagináveis há uns meses, como a Milha, mas consistentemente inevitáveis hoje. Assim, nada melhor do que concluir a época competitiva com uma prova nesta distância a mais ou menos um quilómetro de casa, no parque da cidade onde mais treinos tenho feito.

Conhecia perfeitamente o percurso, embora não o trilhe com regularidade, pois esquivo-me ao empedrado na zona de partida e chegada. Sabia que teríamos uma saída rápida, uma seleção na áspera subida que se prolonga até quase metade do percurso e que a partir daí era praticamente sempre a descer até à meta. Sabia também que a velocidade com que decorre uma prova de Milha não permite grande gestão. Por isso, é necessário partir rápido e tentar manter a posição, pois já percebi que pode não existir tempo para recuperações.

Numa série que juntava veteranos II e III, parti na linha da frente, procurando manter-me entre os primeiros dez praticamente desde o início. Sabia que não tinha quaisquer hipóteses face a alguns participantes, mas tencionava alcançar uma classificação razoável. Como esperado, depois da primeira curva, com a chegada dos primeiros metros a subir, a seleção foi sendo feita. Os candidatos à vitória descolaram e demonstraram claramente que nós, os outros, ainda temos muito que evoluir, mas percebi que no meu escalão apenas tinha um atleta à minha frente. Segui assim, em esforço até aos 0,76km, quando atingíamos o ponto mais elevado do percurso. A partir daqui era destravar os músculos moídos pela subida e acelerar tanto quanto possível por uma distância praticamente equivalente. Bastante fácil na teoria, consideravelmente mais difícil na realidade.

Assim que começamos a descer iniciam-se os “ataques”. Sinto vários atletas a aproximar-se e alguns começam a ultrapassar-me. Parece fácil por estarmos a descer, mas a descida prolonga-se por 0,75km até à curva para a meta. Por isso, não é fácil manter um ritmo muito elevado durante toda a distância. Acompanho o atleta que me ultrapassou. Sinto que cedemos ligeiramente e percebo uma nova ofensiva de dois atletas do Clube Pedro Pessoa, que nos ultrapassam na fase final da descida. Penso que preciso apenas de alguns segundos de recuperação, antes de desferir uma aceleração final à entrada da curva para a meta. Consigo fazê-lo, ultrapasso o meu parceiro de descida, mas já os dois do Pedro Pessoa estão inalcançáveis. Um deles é do meu escalão e acabo por concluir em terceiro, com 5’38.

Ponto final. A sétima prova do Troféu Almada de Atletismo “Mário Pinto Claro” encerra a época almadense de 2018-19. Foi uma temporada consistente. Sem grande talento, chego uma regularidade atípica de participações e resultados: dois primeiros lugares, um segundo, três terceiros e um quarto, no pleno de participações. É inédito.

A partir de outubro haverá mais. Mas é necessário corrigir alguns aspetos neste troféu para o colocar ao nível de outros, nomeadamente aumentar ligeiramente o número de provas: não terá sentido fazer, como noutros locais, um troféu com dezena e meia de competições, mas duas ou três mais ajudavam a compor o leque. Também seria positivo não deixar que existam intervalos tão grandes entre algumas provas. Ao fim de dois ou três meses sem nenhuma prova já ninguém se lembra do Troféu. Por fim, o mais fundamental: organizar uma página online com todos os regulamentos e classificações, de modo a aumentar a transparência dos resultados. Não tem sentido não existir uma página pública com esta informação.

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publicado às 10:31

O fado do tiro-liro-liro

por JL, em 17.06.19

O 2º Corta-Mato Rui Duarte Silva, sexta prova do Troféu Almada em Atletismo “Mário Pinto Claro”, organizado pelo Clube de Atletismo Amigos do Parque da Paz, no dia 12 de maio, foi mais uma prova com o já habitual carácter zombeteiro das provas do troféu almadense.

À chegada ao Parque Urbano do Pragal, o anunciado corta-mato curto, com 3,5km, presenteava-nos com belos pórticos, baias e fitas de cores vivas, uma multidão de atletas, amigos e familiares, mas também com aquele longo declive relvado. Não muito pronunciado, é certo, mas efetivamente longo. Era esse declive de relva cortada rasa que tínhamos de descer e subir três vezes. Primeiro em descida, posteriormente em subida, como um grupo de bonitos ioiôs coloridos, a lembrar aqueles que nos encantaram na infância.

Assim, depois do sonoro aviso de partida, arrancámos ladeira abaixo, que todos os santos ajudam, entusiasmados, como se cantássemos em coro o tiro-liro-ló, mas, para cima, quando nos coube cantar, já ninguém se lembrava da letra ou não havia fôlego para o tiro-liro-liro… Repetido três vezes, quase sempre sem fôlego, não há coro que resista e safaram-se os solistas que treparam com ganas montanhesas.

Pessoalmente, alegrei-me em fazer parte do coro, durante as descidas, e ainda na primeira subida, onde tentei não desafinar. Depois, tive de deixar-me de variedades e arreganhar os dentes para tentar manter o ritmo mais elevado possível. Arranquei rápido, resguardei-me na segunda volta e procurei voltar e imprimir um ritmo mais acentuado na terceira. Não resultou exatamente como queria, pois já não tive forças para o tal final imaginado, mas bastou para assegurar o lugar em que estava. Assim, lá acabei em terceiro lugar no meu escalão. Ótimo resultado, atendendo a que os dois primeiros – João Faustino e Joaquim Dias – têm um nível muito mais elevado e correm num campeonato à parte.

Rui Duarte Silva, patrono desta prova, que já completou quase cinco dezenas de maratonas, e de quem, todos os primeiros classificados, levámos para casa uma colorida reprodução em acrílico com as cores do CAAPP, concluiu o seu escalão num brilhante terceiro lugar, com direito ao respetivo pódio, fotografias da praxe e troféu.

Uma excelente manhã de provas, debaixo de um sol tórrido, que nos levou para casa de face morena, como conta a canção, mas com vontade de regressar outra vez no próximo ano para a dança do solidó. Para este ano, no Troféu Almada em Atletismo, fica a faltar apenas 1ª Milha do Lago, no Parque da Paz, dia 29 de junho, com organização do Clube Pedro Pessoa Escola de Atletismo.

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publicado às 14:20

Numa breve pesquisa online sobre a “milha”, aquilo que nos é devolvido é um conjunto de páginas sobre inúmeros programas de acumulação de milhas para viajar… Mas, neste caso, todas as milhas a que me refiro apenas se acumulam nas pernas, embora, à sua maneira, também possam servir para para o mesmo efeito.

Já anteriormente mencionei aqui anteriores experiências em prova de Milha em dois textos (A primeira Milha de um corredor inconsciente e “Accelerati Incridibilus”) com relatos sobre a primeira participação numa prova com esta distância e, posteriormente, sobre o regresso em 2019. Esta é apenas minha quarta participação nos breves e intensos 1,609km desta distância que realmente aprecio com pouco entusiasmo.

A 4ª Milha Urbana Alberto Chaíça, quinta prova do Toféu Almada “Mário Pinto Claro” 2018-19, surge em homenagem a este conhecido atleta almadense, que foi 8º classificado na Maratona dos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004 (2:14:17) e 4º classificado no Campeonato do Mundo, em 2003, em Paris, com 2:09:25. Em Portugal, foi campeão nacional dos 10 mil metros (29:04:50), em junho de 2003, mas com um recorde de 28:06 em pista e de 28:43, em estrada. Marcas estratosféricas para os comuns mortais que se alinharam à partida e que os tempos finais se encarregaram de comprovar.

Para uma Milha, esta prova do Monte Kapa – Escola de Desporto tem logo o grande inconveniente de ter uma subida relativamente prolongada e um pouco acentuada na Rua Alfazina de Cima, pouco após a partida, que convida a uma gestão de esforço mais cuidadosa. Eu, como receio sempre os excessos iniciais, mais uma vez parti com o cuidado de não imprimir um ritmo demasiado intenso e com a intensão de acelerar essencialmente na segunda metade da prova, a seguir à inversão, já na fase de descida. Mas rapidamente comprovei que na “cabeça” da prova ninguém estava muito preocupado com gestões e simplesmente aceleravam desenfreadamente. Não consegui medir distâncias, pois mais uma vez o relógio falhou, mas calculo que a segunda metade da milha foi muito mais rápida. Pelo menos assim me pareceu e permitiu-me recuperar dois ou três lugares, para terminar em 4º no escalão, com um tempo de 5:33.

Está cumprida mais uma etapa no Troféu "Mário Pinto Claro", que prossegue dia 12 de maio com o Corta-Mato Rui Duarte Silva, organizado pelo Clube de Atletismo Amigos do Parque da Paz.

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publicado às 10:32

Sem palavras

por JL, em 13.04.19

Mais uma. O 2º GP de Atletismo do Clube do Sargento da Armada, quarta prova do Troféu de Atletismo “Mário Pinto Claro” 2019, decorreu no passado dia 7 de abril, na Base Naval de Lisboa, Arsenal do Alfeite.

Com partida e chegada na pista do CEFA, o percurso foi ligeiramente alterado em relação à primeira edição, tendo perdido cerca de 500 metros (7,2km), mas nem por isso concedeu maiores facilidades, tendo sido a esperada montanha-russa, que os participantes em provas aqui decorridas tão bem conhecem. Exige-se sacrifício, coração e sobretudo cabeça para gerir o esforço, sem ceder antes do fim.

Num fim-de-semana abundante de provas na região – 28º Corre Praia, na Costa da Caparica, 1ª Légua Cidade de Amora, no concelho do Seixal, e ainda a Corrida do Benfica António Leitão, em Lisboa – era previsível que se notassem algumas ausências. Porque a este pessoal do atletismo falta-lhe o dom da omnipresença. Assim foi. Alguns participantes habituais estiveram ausentes. Apesar de não se notar uma grande diferença de números, o nível competitivo não foi tão elevado. Talvez por isso, consegui novo triunfo no escalão, apesar de ter sido sensivelmente mais lento do que em provas anteriores.

Como sabia que o momento não era o melhor e conhecia o nível de dificuldade da corrida, decidi fazer uma prova mais conservadora. As possibilidades de me aproximar dos lugares da frente eram ínfimas, e implicaria sofrer um enorme desgaste. Por isso, optei por me poupar permanentemente, em particular nas descidas, mantendo alguma firmeza nas subidas, de modo a não permitir aproximações. Se bem o pensei, melhor o fiz. Terminei com 29:22, tendo ficado nos 20 primeiros. Ainda não consegui aceder à classificação definitiva.

Naturalmente, um resultado positivo, que me deixa satisfeito. No entanto, a satisfação do “atleta” contrasta com o dissabor do bloguer. Quando me iniciei nestes devaneios da escrita imaginava um conjunto de textos, mais ou menos humorísticos, mais ou menos cáusticos, sobre episódios caricatos e falhanços antológicos, como por exemplo quedas nas corridas, ambições precipitadas ou, em alternativa, textos de motivação e experiência. Uma espécie de Nanni Moretti das corridas. Como transformar o relato de um primeiro lugar numa experiência divertida e que não soe a pedantismo? Acho que me faltam as palavras para esse tipo de narrativa. Acho também que é por isso que o Woody Allen ou o Nanni Moretti fazem filmes sobre neuroses, crises existenciais e relações falhadas. Relatos de experiências que nos convocam enquanto iguais para uma espécie de solidariedade de espécie. É mais fácil. Atenção que sou fã e defensor acérrimo da obra de ambos!

Enfim, o que vale é que a Milha de Corroios está por horas e a minha relação com a velocidade é a de alguém que corre com as sapatilhas trocadas…

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publicado às 10:57

Mais de três meses e meio depois, finalmente regressou à estrada o Troféu “Mário Pinto Claro” 2018-19. Com o 26º Grande Prémio de Atletismo da Charneca de Caparica, no passado dia 10 de março. Antes, a última prova havia sido o Troféu da Caparica 2018, em 18 de novembro. Apenas uma semana depois da primeira competição: 2º Grande Prémio de São Martinho.

As duas primeiras, provas difíceis, de sobe e desce constante, mas que me haviam corrido bastante bem, até porque aprecio esse tipo de percurso mais sacrificial do que veloz. Também porque nesse mês de novembro estava a atravessar uma fase bastante boa, que veio a eclodir na minha melhor prestação na meia maratona, com 1:26:04 nos Descobrimentos. Mas, três meses e meio depois, como encarar o Grande Prémio de Atletismo da Charneca de Caparica? Neste intervalo de tempo tinha andado a correr menos, com menos provas e em registos mais conservadores. Até a própria confiança já não era a mesma de novembro passado…

No passado, apenas participei uma vez no Grande Prémio de Atletismo da Charneca de Caparica. Em 2018, ainda em processo de recuperação após uma breve paragem de duas semanas, conseguira uma prestação razoável, com 32’38, alcançando o 4º lugar no escalão. Por isso, tinha expectativa de conseguir um registo dentro dos mesmos parâmetros este ano.

Assim, assumi a vontade de partir não distante da cabeça da corrida e de adotar um ritmo abaixo dos 4/km. À partida coloquei-me logo numa linha a seguir aos favoritos e procurei manter esse registo de segundas linhas, que me permitia rolar entre os primeiros 20. Acabei por terminar com 31’03, segundo o tempo oficial, com menos umas migalhas no meu relógio, e alcançar o meu primeiro 1º lugar no escalão, após um despique renhido com um atleta do GD Independente, nos últimos 500 metros. Valeu um último fôlego, guardado para esta eventualidade extremamente rara, que me deu forças para a aceleração final.

Um resultado que me deixa bastante satisfeito. Ainda recentemente celebrava aqui um triunfo e já me posso vangloriar novamente. Ainda para mais, com a satisfação extra de este ano estar a representar o CA Amigos do Parque da Paz no Troféu "Mário Pinto Claro", e qualquer pontinho ser um contributo para ajudar a classificação coletiva.

A próxima prova é agora no próximo dia 7 de abril, com o 2º Grande Prémio de Atletismo do Clube do Sargento da Armada. Mais uma montanha-russa a sacrificar velocistas e a reabilitar trail-runners e trepadores afins.

Regresso, no entanto, ao início para deixar novamente o reparo sobre tão longos intervalos entre as provas de um Troféu. Não é possível manter um padrão de competitividade interessante, com paragens tão prolongadas. Era essencial que o Troféu conseguisse manter alguma regularidade mínima entre as diversas provas. Contudo, sei também que é mais fácil criticar do que fazer e reconheço-me mais próximo das fronteiras do erro do que da virtude, quando, sem muito tempo para escrever, escrevo e publico um texto sobre uma prova que decorreu há mais de 20 dias… Mas vamos tentar ser mais rápidos para a próxima…

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publicado às 10:45

A centésima

por JL, em 19.03.19

Faz três anos no próximo dia 20 de março, mas recordo-me como se fosse hoje. Ali estava eu, na Praça da Portagem da Ponte 25 de abril, com um boné branco na cabeça, calções, t-shirt e uns Downshifter 6 nos pés, perplexo e rodeado por uma multidão buliçosa, que erguia simultaneamente os braços de cada vez que o speaker os incitava a isso.

Três meses antes, oferecera-me pelo Natal uma inscrição na Mini-Maratona Vodafone. É assim uma daquelas coisas de que nos lembramos e não sabemos muito bem porquê. Uma experiência. Uma curiosidade. Um desafio. Dois meses de treino no ginásio com constante insistência nas passadeiras e ali estava na crueldade do mundo real, com a garganta a arranhar, depois da constipação da época, a tropeçar em mim, no meio daquela massa humana que se deslocava lentamente em direção à linha de partida. Depois, foi correr, na medida do possível, colocando um pé à frente do outro até chegar aos Jerónimos com a sensação de que tinha pulmão e pernas para mais.

Tanto assim foi que depois continuei. A correr. Tanto ou tão pouco, que chegou a vez da centésima. A contar com todas, mesmo as não cronometradas como a Corrida da Liberdade, que fiz três vezes, são duas maratonas, uma ultra, 13 meias-maratonas, quase três dezenas de 10 km, dois 20 km, vários trails, algumas léguas, e muitas diversas mais… São 100 provas contabilizadas.

Foi por isso com alguma emoção que regressei no domingo à casa partida. Na 29ª EDP Meia Maratona de Lisboa. Na mesma Praça da Portagem da 25 de abril. Confesso que apesar de ter sido a escolha para a primeira vez, acabei por não me tornar um grande fã desta prova. São demasiados atletas e faltam blocos de partida, o que faz desta prova um ziguezague constante e desgastante durante os primeiros quilómetros. Por isso, este ano decidi aproveitar o bom tempo para chegar mais cedo e tentar partir mais próximo da linha da frente. Uma opção salutar, que facilitou bastante a progressão. Ainda assim, só perto do primeiro quilómetro se consegue uma verdadeira estabilização, mas a partir daí foi perfeitamente possível assegurar um ritmo constante.

Há três meses, havia conseguido um registo bastante positivo nos Descobrimentos, com uma prova em negative split. Com os primeiros dois terços em registos próximos de 4’10/km e os sete quilómetros finais em 4/km numa prova invulgarmente bem gerida para o pouco que consigo fazer. Para a Meia de Lisboa pretendia fazer algo semelhante, mas sabia que a preparação não era a mesma. Assim, após o tortuoso primeiro quilómetro a 4’40/km, aproveitei a descida para Alcântara para recuperar algum tempo e consegui estabilizar em 4’10/km. No entanto, desta feita a preparação não me permitiu a aceleração final, pelo contrário, e acabei por concluir com um tempo de chip de 1:27:29. Bastante bom para aquilo que eram os meus registos não há muito tempo, mas relativamente amargo face aos desenvolvimentos mais recentes. Fica a sensação de que numa fase melhor e mais bem preparado poderia ter feito pelo menos um minuto a menos. No entanto, acredito que não faltarão oportunidades até estar a comemorar a milésima!

Classificação final no website da organização e historial de resultados em JoaoLimaNet.

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publicado às 16:42


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