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Eu, igual a tantos outros corredores, costumo aqui falar de sapatilhas em contacto com o asfalto da estrada, com a areia da praia ou com a terra batida das singletracks. Nunca sobre o contacto suave com o estrado liso e plano de um palco… Mas há sempre uma primeira vez.

Nunca imaginei que um dia pisaria o palco do Auditório Fernando Lopes Graça, no Fórum Municipal Romeu Correia, em Almada, onde tantas vezes tenho assistido a sessões de cinema e teatro, assim como a alguns concertos. Mas a entrega de prémios do Troféu Almada de Atletismo Mário Pinto Claro reservava-me essa estreia insólita. No passado dia 15 de setembro, atletas e clubes do concelho reuniram-se neste auditório para essa cerimónia.

Desde a plateia, nas cadeiras acolchoadas e confortáveis, não adivinhamos o que é estar ali em cima, com vista para os 232 lugares do auditório. Mas ali estava eu a profanar as tábuas lisas do palco, com pernas tortas e gestos desajeitados, sem a mínima graça ou jeito para a representação, a embaraçar artistas que anos a fio encheram de talento este espaço. Procurei deslocar-me tão discretamente quanto possível, receber a singela medalha e partir de modo igualmente discreto. Na memória fica-me uma imagem fugaz, turvada pela miopia, de outros atletas que dos lugares da plateia se reviam em nós que agora estávamos no palco.

Do troféu não há muito mais a dizer. Foram sete provas, com dois primeiros lugares, dois segundos, dois terceiros e um quarto lugar, que valeram 63 pontos. O Clube de Atletismo Amigos do Parque da Paz (CAAPP), que representei nesta edição do troféu, conseguiu um excelente 3º lugar, por equipas, com 113 pontos, atrás do Amigos do Atletismo da Charneca da Caparica (AACC), com 131 pontos, e do vencedor Clube de Praças da Armada (CPA), com 134 pontos.

Terminada uma temporada, outra se adianta a dar os primeiros passos. A primeira prova do Troféu Almada de Atletismo Mário Pinto Claro 2019-20 será o 3º Grande Prémio de S. Martinho, organizado pelo CPA – Clube de Praças da Armada, no próximo dia 3 de novembro.

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publicado às 14:38

O fado do tiro-liro-liro

por JL, em 17.06.19

O 2º Corta-Mato Rui Duarte Silva, sexta prova do Troféu Almada em Atletismo “Mário Pinto Claro”, organizado pelo Clube de Atletismo Amigos do Parque da Paz, no dia 12 de maio, foi mais uma prova com o já habitual carácter zombeteiro das provas do troféu almadense.

À chegada ao Parque Urbano do Pragal, o anunciado corta-mato curto, com 3,5km, presenteava-nos com belos pórticos, baias e fitas de cores vivas, uma multidão de atletas, amigos e familiares, mas também com aquele longo declive relvado. Não muito pronunciado, é certo, mas efetivamente longo. Era esse declive de relva cortada rasa que tínhamos de descer e subir três vezes. Primeiro em descida, posteriormente em subida, como um grupo de bonitos ioiôs coloridos, a lembrar aqueles que nos encantaram na infância.

Assim, depois do sonoro aviso de partida, arrancámos ladeira abaixo, que todos os santos ajudam, entusiasmados, como se cantássemos em coro o tiro-liro-ló, mas, para cima, quando nos coube cantar, já ninguém se lembrava da letra ou não havia fôlego para o tiro-liro-liro… Repetido três vezes, quase sempre sem fôlego, não há coro que resista e safaram-se os solistas que treparam com ganas montanhesas.

Pessoalmente, alegrei-me em fazer parte do coro, durante as descidas, e ainda na primeira subida, onde tentei não desafinar. Depois, tive de deixar-me de variedades e arreganhar os dentes para tentar manter o ritmo mais elevado possível. Arranquei rápido, resguardei-me na segunda volta e procurei voltar e imprimir um ritmo mais acentuado na terceira. Não resultou exatamente como queria, pois já não tive forças para o tal final imaginado, mas bastou para assegurar o lugar em que estava. Assim, lá acabei em terceiro lugar no meu escalão. Ótimo resultado, atendendo a que os dois primeiros – João Faustino e Joaquim Dias – têm um nível muito mais elevado e correm num campeonato à parte.

Rui Duarte Silva, patrono desta prova, que já completou quase cinco dezenas de maratonas, e de quem, todos os primeiros classificados, levámos para casa uma colorida reprodução em acrílico com as cores do CAAPP, concluiu o seu escalão num brilhante terceiro lugar, com direito ao respetivo pódio, fotografias da praxe e troféu.

Uma excelente manhã de provas, debaixo de um sol tórrido, que nos levou para casa de face morena, como conta a canção, mas com vontade de regressar outra vez no próximo ano para a dança do solidó. Para este ano, no Troféu Almada em Atletismo, fica a faltar apenas 1ª Milha do Lago, no Parque da Paz, dia 29 de junho, com organização do Clube Pedro Pessoa Escola de Atletismo.

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publicado às 14:20

Mais de três meses e meio depois, finalmente regressou à estrada o Troféu “Mário Pinto Claro” 2018-19. Com o 26º Grande Prémio de Atletismo da Charneca de Caparica, no passado dia 10 de março. Antes, a última prova havia sido o Troféu da Caparica 2018, em 18 de novembro. Apenas uma semana depois da primeira competição: 2º Grande Prémio de São Martinho.

As duas primeiras, provas difíceis, de sobe e desce constante, mas que me haviam corrido bastante bem, até porque aprecio esse tipo de percurso mais sacrificial do que veloz. Também porque nesse mês de novembro estava a atravessar uma fase bastante boa, que veio a eclodir na minha melhor prestação na meia maratona, com 1:26:04 nos Descobrimentos. Mas, três meses e meio depois, como encarar o Grande Prémio de Atletismo da Charneca de Caparica? Neste intervalo de tempo tinha andado a correr menos, com menos provas e em registos mais conservadores. Até a própria confiança já não era a mesma de novembro passado…

No passado, apenas participei uma vez no Grande Prémio de Atletismo da Charneca de Caparica. Em 2018, ainda em processo de recuperação após uma breve paragem de duas semanas, conseguira uma prestação razoável, com 32’38, alcançando o 4º lugar no escalão. Por isso, tinha expectativa de conseguir um registo dentro dos mesmos parâmetros este ano.

Assim, assumi a vontade de partir não distante da cabeça da corrida e de adotar um ritmo abaixo dos 4/km. À partida coloquei-me logo numa linha a seguir aos favoritos e procurei manter esse registo de segundas linhas, que me permitia rolar entre os primeiros 20. Acabei por terminar com 31’03, segundo o tempo oficial, com menos umas migalhas no meu relógio, e alcançar o meu primeiro 1º lugar no escalão, após um despique renhido com um atleta do GD Independente, nos últimos 500 metros. Valeu um último fôlego, guardado para esta eventualidade extremamente rara, que me deu forças para a aceleração final.

Um resultado que me deixa bastante satisfeito. Ainda recentemente celebrava aqui um triunfo e já me posso vangloriar novamente. Ainda para mais, com a satisfação extra de este ano estar a representar o CA Amigos do Parque da Paz no Troféu "Mário Pinto Claro", e qualquer pontinho ser um contributo para ajudar a classificação coletiva.

A próxima prova é agora no próximo dia 7 de abril, com o 2º Grande Prémio de Atletismo do Clube do Sargento da Armada. Mais uma montanha-russa a sacrificar velocistas e a reabilitar trail-runners e trepadores afins.

Regresso, no entanto, ao início para deixar novamente o reparo sobre tão longos intervalos entre as provas de um Troféu. Não é possível manter um padrão de competitividade interessante, com paragens tão prolongadas. Era essencial que o Troféu conseguisse manter alguma regularidade mínima entre as diversas provas. Contudo, sei também que é mais fácil criticar do que fazer e reconheço-me mais próximo das fronteiras do erro do que da virtude, quando, sem muito tempo para escrever, escrevo e publico um texto sobre uma prova que decorreu há mais de 20 dias… Mas vamos tentar ser mais rápidos para a próxima…

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publicado às 10:45


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