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O fado do tiro-liro-liro

por JL, em 17.06.19

O 2º Corta-Mato Rui Duarte Silva, sexta prova do Troféu Almada em Atletismo “Mário Pinto Claro”, organizado pelo Clube de Atletismo Amigos do Parque da Paz, no dia 12 de maio, foi mais uma prova com o já habitual carácter zombeteiro das provas do troféu almadense.

À chegada ao Parque Urbano do Pragal, o anunciado corta-mato curto, com 3,5km, presenteava-nos com belos pórticos, baias e fitas de cores vivas, uma multidão de atletas, amigos e familiares, mas também com aquele longo declive relvado. Não muito pronunciado, é certo, mas efetivamente longo. Era esse declive de relva cortada rasa que tínhamos de descer e subir três vezes. Primeiro em descida, posteriormente em subida, como um grupo de bonitos ioiôs coloridos, a lembrar aqueles que nos encantaram na infância.

Assim, depois do sonoro aviso de partida, arrancámos ladeira abaixo, que todos os santos ajudam, entusiasmados, como se cantássemos em coro o tiro-liro-ló, mas, para cima, quando nos coube cantar, já ninguém se lembrava da letra ou não havia fôlego para o tiro-liro-liro… Repetido três vezes, quase sempre sem fôlego, não há coro que resista e safaram-se os solistas que treparam com ganas montanhesas.

Pessoalmente, alegrei-me em fazer parte do coro, durante as descidas, e ainda na primeira subida, onde tentei não desafinar. Depois, tive de deixar-me de variedades e arreganhar os dentes para tentar manter o ritmo mais elevado possível. Arranquei rápido, resguardei-me na segunda volta e procurei voltar e imprimir um ritmo mais acentuado na terceira. Não resultou exatamente como queria, pois já não tive forças para o tal final imaginado, mas bastou para assegurar o lugar em que estava. Assim, lá acabei em terceiro lugar no meu escalão. Ótimo resultado, atendendo a que os dois primeiros – João Faustino e Joaquim Dias – têm um nível muito mais elevado e correm num campeonato à parte.

Rui Duarte Silva, patrono desta prova, que já completou quase cinco dezenas de maratonas, e de quem, todos os primeiros classificados, levámos para casa uma colorida reprodução em acrílico com as cores do CAAPP, concluiu o seu escalão num brilhante terceiro lugar, com direito ao respetivo pódio, fotografias da praxe e troféu.

Uma excelente manhã de provas, debaixo de um sol tórrido, que nos levou para casa de face morena, como conta a canção, mas com vontade de regressar outra vez no próximo ano para a dança do solidó. Para este ano, no Troféu Almada em Atletismo, fica a faltar apenas 1ª Milha do Lago, no Parque da Paz, dia 29 de junho, com organização do Clube Pedro Pessoa Escola de Atletismo.

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publicado às 14:20

No Alentejo “murakamizo-me”. Escrevo e corro. Escrevo e corro. Escrevo e corro. É um bom lugar para tentar terminar o meu projeto de tese e também para treinar. Passo o dia a tentar escrever e depois tento treinar. Penso no que escrevo, enquanto corro, mas evito pensar em correr, enquanto escrevo. Mas também vejo televisão. Coisa rara para quem já não a tem, mas possível em casa emprestada. Assim, vi o Campeonato do Mundo de Corta-Mato na manhã deste sábado, no canal 2.

Não resisti a fixar-me na TV, quando descobri que a prova, a decorrer em Aarhus, na Dinamarca, contemplava a travessia do telhado com relva do Museu Moesgaard, num percurso de grande exigência, naquilo que é uma tentativa da IAAF de explorar percursos “extremos”, de modo a atrair mais público.

Uma manhã longa, desde as 10h, com o corta-mato misto, até à hora de almoço, com a conclusão da prova de seniores masculinos, onde tivemos um meteórico retorno espiritual de Shakespeare, o grande mestre da arte dramática, na definição das classificações. A última prova levou a um inédito título coletivo ugandês e a um triunfo individual de Joshua Cheptegei, com 31:40, suplantando o também ugandês Jacob Kiplimo e o ex-campeão, o queniano Geoffrey Kamworor, após uma prova taticamente inteligente neste percurso extremamente exigente.

O toque shakespeariano na prova dinamarquesa explica-se porque há dois anos, em Kampala, no Uganda, Cheptegei “estoirou” de tal forma na última volta, quando liderava isolado a prova, que acabou por terminar em 30º, num final de enorme sofrimento, que ainda assim garantiu a medalha de bronze coletiva para o Uganda. Dois anos depois da gigantesca desilusão “caseira”, o novo campeão do Mundo corrigiu os erros cometidos e conquistou finalmente o título mundial. Um argumento ao nível da melhor Shakespeare.

 

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publicado às 16:52

Excursão ao Barreiro

por JL, em 16.03.19

Domingo, 24 de fevereiro, oito horas da manhã. Um ligeiro vento fresco lembra-nos de que podíamos ter ficado na cama. Mas ali estamos no estacionamento à espera de nos encontrarmos com outros membros da equipa para depois fazermos uma pequena excursão de cerca de 30 km até Quinta do Braamcamp, no Barreiro, para corrermos menos de 4 km de corta-mato. Uma espiral de sensatez, portanto.

A prova, o 3º Corta-Mato da Academia do Korpo, correspondia à 5ª jornada do Circuito de Atletismo do Barreiro, e A Natureza Ensina conseguiu aproveitar um fim-de-semana de pausa noutras competições para levar um pequeno coletivo de 13 atletas a esta competição. Uma oportunidade para treinar em ritmo mais intenso, em piso de corta-mato, mas sem qualquer pressão. Daí embarcar nesta simpática excursão.

Mais uma vez sem grandes objetivos competitivos, deu para fazer qualquer coisa como 14’40, nos 3,8 km do percurso, sem certezas, pois esqueci-me de parar o relógio… O suficiente para conseguir ser 7º, num escalão dominado por atletas do GDC Estrela Negra e do GDR Ribeirinho. Entre a prestação discreta da equipa, destacaram-se excelentes prestações femininas, com dois pódios (um 1º e um 3º lugar), no escalão de Veteranas II

Enfim, se não estivesse estado no Barreiro também não teria passado a receber publicidade em série, numa conhecida rede social, sobre o debate político sobre o futuro dos 21 hectares em frente ao rio da Quinta do Braamcamp…

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publicado às 18:24

"Penso adesivo", mas não existo

por JL, em 05.02.19

Recordo-me de, há alguns anos, discutir nas aulas de jornalismo a dificuldade de se escrever um bom título. A titulação é uma arte exigente e difícil. É por ter estado atento a essas aulas que me deixam alguma nostalgia, que posso afirmar com convicção que o título acima não é um bom título. Não sei se é mau… Mas bom não é de certeza.

É que tomar de empréstimo a máxima cartesiana é meio caminho andado para ser interpretado como pretensioso e afastar alguns leitores, incompatíveis com a filosofia ou com o próprio Descartes. Depois, porque realizar um trocadilho humorístico com essa máxima é, na melhor das hipóteses, algo de gosto muito duvidoso, e assim uma forte possibilidade de afastar outros leitores, que apreciam filosofia e o próprio Descartes. Por isso, sobram apenas a família e alguns amigos como únicos indefetíveis leitores… Mas talvez já regressemos ao título.

Enfim, corredor avisado não comete os mesmos erros. Comete outros. Ao pisar a relva e terra batida do Parque do Serrado, na Amora, para correr o 8º Corta-mato do Núcleo de Amigos de Cabeço de Vide, sabia que não estava na melhor forma nem tinha escolhido as melhores sapatilhas para o piso que ainda parecia húmido.  Por isso, depois de um arranque demasiado rápido na semana anterior, empenhei-me em partir em ritmo mais moderado e desfrutar dos confortos de uma manhã fria, mas solarenga. No entanto, o entusiasmo da corrida rapidamente apaga estes pensamentos mais avisados e, às duas por três, estava no encalço de mais um atleta, quando senti o pé direito tropeçar numa raiz sobressaída.

É um segundo que parece uma longa-metragem… A perna esquerda devia ter reagido rapidamente, encontrando o chão firme e o equilíbrio, mas onde é que estava? Provavelmente enrolada na outra, como dois fios de esparguete enamorados e à espera do dia 14…. Certo é que não sei a resposta e faltam-me provas sobre o que aconteceu. Pois, apesar de a prova estar repleta de fotógrafos, não encontro uma imagem do sucedido. Nada com o pé encalhado na raiz, nem com o voo desajeitado e de pernas torcidas e menos ainda com a aterragem forçada, sem graça nem elegância, na areia pouco delicada da pista. Uma absoluta invisibilidade. Terá acontecido? Terá sido imaginação? O cotovelo e a perna direita, que comprovaram a existência de atrito entre dois corpos sólidos, provaram-me que sim, exibindo-se artisticamente decorados com dolorosas escoriações de tom avermelhado.

Erguendo-me do pó, descobri ainda uma dor incisiva no quadricípite esquerdo, que quase não me deixava andar. No entanto, alguns passos descoordenados, mas embalados pelos músculos quentes da corrida, uma tentativa de aumento de ritmo razoavelmente sucedida e estava na pista outra vez. Meio coxo, combalido, a fazer caretas ainda mais feias do que é costume, até atravessar a meta. Aí, conselho amigo indicou-me o carro dos Bombeiros Voluntários da Amora, onde recebi prestável auxílio, traduzido em borrifadelas de antisséptico e “spray milagroso”. Prestem-se as devidas homenagens a esses heróis que são os bombeiros voluntários!

Mais tarde, em casa, li que o famigerado penso adesivo do título ajuda a cicatrizar de modo mais eficiente, reduzindo o risco de infeção, sendo um mito a ideia de que deixar feridas e arranhões a descoberto, ajuda a que este processo decorra mais rapidamente. Ignoro olimpicamente mais este conselho, porque com esta jornada não combinam adjetivos como “rápido”. Nem nos pensos…

Não sei em que posição terminei, pois não consegui ver as classificações. O meu relógio marcava 18’19 quando o desliguei após a chegada. O website do Troféu de Atletismo do Seixal não tem resultados disponíveis. Também não encontro informação dos organizadores da prova. E ainda aguardo que me enviem as classificações, mas sem sorte até ao momento. Parece que fiquei esquecido ou que não existo…

Falta ainda a explicação sobre o título... Ou não. Tirem-se as conclusões que se quiser. Ficamos com a dúvida cartesiana: "Puisque je doute, je pense; puisque je pense, j'existe".

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publicado às 11:24

Correr mais verde

por JL, em 27.01.19

 

Existem coincidências curiosas. Às quais gostamos de atribuir significados. A minha primeira prova com a camisola verde da associação “A Natureza Ensina” foi hoje a 4ª Eco-Run D. Paio Peres, a contar para o 32º Troféu de Atletismo do Seixal. Por outras palavras, uma dupla estreia na única equipa de clube com génese ambiental na única prova do Troféu com designação eco.

A singularidade deste facto remetia-me imediatamente para derivações sobre outras terminologias recentemente adotadas no running, como as designações “Evento verde” ou “EcoX”, que algumas empresas organizadoras de provas têm associado recentemente às suas provas. Ou seja, o verde parece estar entre as preocupações do universo de atletas, empresas e outras instituições ligadas ao running, sendo estes designativos o reconhecimento do impacto ambiental dos eventos desportivos, nomeadamente porque “têm implicado a utilização de materiais plásticos e de embalagens em grandes quantidades”, consumo de papel e desperdício de água, além de problemas de mobilidade e de emissão de dióxido de carbono.

Além de simples pedagogia social, procurando que as mensagens transmitidas produzam um impacto positivo na sociedade, as empresas organizadoras de provas anunciam um conjunto de medidas como folhetos promocionais em papel reciclado, envelopes com chips e dorsais no mesmo tipo de papel, utilização de carros elétricos, recolhas seletivas de lixo com ecopontos e disponibilização de pontos de água para reabastecimento. Em simultâneo, solicitam aos participantes a promoção de comportamentos mais ecológicos, como levantar os dorsais com comprovativo eletrónico em vez de papel, levar um saco reutilizável para recolher o kit, levar uma garrafa de água, depositar o lixo nos caixotes, partilhar transportes ou usar transportes públicos. Tudo medidas salutares, umas mais válidas do que outras, que convidam a uma progressiva mudança de comportamentos. Mesmo que o impacto efetivo das medidas seja certamente insuficiente, a transmissão destas mensagens terá sempre um efeito entre aqueles que as recebem, podendo ser um importante contributo para a mudança necessária.

Daí que aplauda sem reticências a postura de entidades organizadoras e aproveite para dar uma modesta achega em relação à recolha de plástico durante as provas. Tem-se observado, cada vez com maior frequência, a presença de ecopontos de recolha de plástico próximos das zonas de abastecimento de água. Uma medida positiva, mas demasiado circunscrita espacialmente. Para muitos atletas, especialmente em dias de maior calor, não é bastante dar um ou dois goles de água num intervalo de uns 50 metros, tendo de levar consigo a garrafa durante um intervalo de percurso, e esses não voltam a encontrar nenhum ecoponto, a não ser que exista um ponto de abastecimento. Assim, seria uma medida bastante válida a colocação de ecopontos em pontos intermédios, por exemplo a 2km a 2,5km do abastecimento, permitindo que os atletas se desembaraçassem dos recipientes que ainda possam ter na sua posse sem terem de os arremessar para o chão. Enfim, fica a ideia.

De novo de regresso à 4ª Eco-Run D. Paio Peres, organizada pelo Grupo Futsal Amigos da Encosta do Sol, para dizer que pessoalmente a prova não tem muito para contar. Partia no grupo que agregava os escalões de veteranos II, III e IV, e sabia que tinha pela frente três voltas grandes, num total de 4450 metros, sem grandes aspirações competitivas. Integrado num escalão com ótimos atletas, contava concluir entre 10º a 15º, com esperança de amealhar alguns pontos, devido aos participantes que contavam para a prova, mas que não estão inscritos para o Troféu Seixal.

Assim, apesar de uma partida um pouco rápida de mais, ao final da primeira volta tinha-me arrumado atrás dos atletas dos lugares cimeiros, que sabia nunca conseguir alcançar, tentando manter-me nas posições imediatamente subsequentes. Algo que foi sendo conseguido, embora com mais esforço do que previra. Entre dois lugares ganhos e dois perdidos, o segundo deles na última subida, ainda tentei recuperar a posição na descida para a meta, com o sprint possível com umas pernas que nunca se deram bem com a velocidade, chegando a impensáveis 2’50/km, mas insuficientes para a resposta do outro atleta. Ainda assim, as contas ficaram acima das expectativas. Afinal, conseguira ser 9º classificado no escalão de veteranos III, alcançando uns inesperados 7 pontos no Troféu. Resultado acima das previsões.

Para a semana há mais, com o 8º Corta Mato do Núcleo de Naturais e Amigos da Vila de Cabeço de Vide, no Parque do Serrado, Amora. Mais uma vez uma prova num tipo de piso que me agrada, pelo menos enquanto não chove, embora tenha sido avisado que os desníveis são mais acentuados e prolongados.

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publicado às 22:34


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