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Este ano, A Natureza Ensina organizou mais uma presença da “onda verde” na Bimbo Global Energy Race e eu, habitual participante nesta prova, decidi avançar para a minha quarta presença. Foram 34 atletas que levaram a camisola verde vestida no percurso entre a Ribeira das Naus e a Avenida da Índia.

Depois da intempérie pessoal do fim-de-semana anterior, fiz de tudo para me guiar ‘by the book’, cumprindo os treinos, tempos de descanso e ritmos de corrida. À partida, alinhavei uma estratégia simples e segura: partir junto da bandeira dos 4’/km, seguir a par, independentemente de tudo até aos 5 km, e a partir daí, se me sentisse bem, acelerar um pouco na segunda metade. Assim foi. Sem o mínimo desvio. Arranquei controladamente, mantive-me a par da bandeira como projetado e mesmo quando senti o impulso para acompanhar um colega de equipa que acelerou por volta do quarto quilómetro, refreei-me e cumpri escrupulosamente o objetivo para a primeira légua. Ao contornar o ponto de retorno estava livre para fazer o que quisesse e acelerei de modo equilibrado. Fiz os 5 km finais entre 3’46/km e 3’56/km, com o quilómetro mais lento a ser equivalente ao quilómetro mais rápido da primeira metade.

Se bem o pensei, melhor o fiz. Foi uma prova de uma exemplar monotonia, mas agradável por essa mesma tranquilidade. Na verdade, talvez pelos excessos do fim-de-semana anterior, nunca me senti com energia para grandes acelerações e limitei-me a cumprir o estipulado.

A Global Energy Race é uma prova internacional que decorreu simultaneamente em 36 cidades de 22 países, com apoio do grupo Bimbo e das suas marcas, que doarão mais de um milhão de fatias de pão. Em Portugal, este ano, a Fundação o Século foi a instituição apoiada.

A nível competitivo foi vencida pelo sportinguista Paulo Pinheiro (30’35) e por Margarida Dionísio, da ACR Senhora do Desterro (37’31).

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publicado às 15:48

Em memória de Francisco Lázaro

por JL, em 30.07.19

Fazia parte da primeira equipa olímpica portuguesa, nos Jogos Olímpicos de 1912, em Estocolmo, na Suécia, quando viria a falecer, poucas horas depois de ter desfalecido durante a prova de maratona. Tinha 24 anos.

Francisco Lázaro havia-se feito notar em várias provas nacionais, nomeadamente na primeira maratona realizada em Portugal, em 1910, com um tempo abaixo das 3 horas (2h57). No ano de 1912 conseguiu alcançar 2h52 num percurso particularmente difícil, o que abria boas perspetivas para a sua participação olímpica, uma vez que o vencedor da maratona olímpica de Londres, quatro anos antes, terminara com um tempo de 2h55.

Nascido em Lisboa, carpinteiro e oficial especializado em carroçarias de automóveis, sem treinador, conta-se que fazia diariamente o percurso entre Benfica e Bairro Alto, em ritmo de corrida, a desafiar os elétricos, e que foi assim que foi descoberto para o atletismo. Jogou futebol no Grupo Sport Benfica, correu pelo Sport Lisboa e Benfica e acabou por ingressar Lisboa Sporting Clube. Na V Olímpiada da era moderna, Lázaro foi o primeiro porta-bandeira da recém-criada bandeira Republicana, na Cerimónia de Abertura dos Jogos.

Conta-se ainda que no dia da maratona as temperaturas eram elevadas e que os colegas de equipa Armando Cortesão e Fernando Correia o encontraram a besuntar-se com sebo antes da partida e que terão sido os poros impedidos que impediram a transpiração. Outros adiantam que seria um dos poucos atletas que não usava nenhuma proteção na cabeça. Aponta-se também o possível uso da “emborcação”, uma mistela para “assegurar a elasticidade e a perfeita maleabilidade dos músculos”, constituída por claras de ovos, uma gema, água destilada, essência de terebentina e ácido acético. Certezas não existem. A autópsia revelou uma desidratação extrema como causa de morte.

A primeira vítima mortal nos Jogos Olímpicos da era moderna foi homenageada e Pierre de Coubertin enviou condolências à família. Em Portugal, o seu nome foi atribuído a várias ruas, em Lisboa, na zona dos Anjos, mas também em Baixa da Banheira, Corroios, Costa da Caparica, Famões, Fernão Ferro ou S. Domingos de Rana.

Em Lisboa, atribuíram ainda o seu nome ao estádio do Clube de Futebol Benfica, na Rua Olivério Serpa. Foi dali, do centro do relvado sintético do Estádio Francisco Lázaro que se deu a partida para o XIII Memorial Francisco Lázaro. Prova organizada pela Junta de Freguesia de Benfica e Clube de Futebol Benfica, com apoio técnico da Xistarca, que pretende homenagear o mítico atleta.

É uma prova difícil, de percurso exigentemente acidentado pelos meandros de Monsanto, a convidar a cautelas e estratégia na gestão do esforço. Não me quero repetir numa ladainha constante sobre provas duras e percursos difíceis, mas quem já correu em Monsanto sabe a que me refiro. As visíveis dificuldades da atleta segunda classificada da geral feminina, que tombou sem forças a poucos metros da meta e que teve de se arrastar até concluir a prova, também o comprovam.

Aquele pedaço do percurso entre os quilómetros 4 e 6 é particularmente duro e desafiante. Mas, assim como se sobe, também se desce, e a partir daí a descida é longa e acentuada e conseguimos recuperar muito tempo. Foi com essa perspetiva que delineei a minha prova. Procurei partir bem, sem euforia, mas posicionado entre os 50 primeiros. Tinha visto o mapa do percurso e estava precavido para a fase mais dura da prova. Consegui resistir, embora com algumas dificuldades, e depois foi um voo mais ou menos ligeiro, mais ou menos empenado, até à chegada. Concluí em 29º, com 39’40, simpaticamente incentivado pelo porta-bandeira dos 4’/km, que me incitou a um esforço final na última centena de metros.

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publicado às 14:37

Crónica de uma desistência

por JL, em 15.05.19

À primeira vista não parece até porque é muito mais comum do que pensamos. Na Verdade, todos nós, aqui e ali, ao longo da vida, provavelmente desistimos de qualquer coisa. De sonhos, de objetivos, de projetos, de corridas… Mas o ato de desistir revela-se uma jornada bastante solitária.

O dia 5 de maio era, desde há muito, um gigantesco gatafunho vermelho em redor do respetivo número no calendário de parede. Uma expectativa desportiva. Uma das três provas-eixo delineadas para o ano de 2019. Mas também um último dia de mais uma jornada desta minha tão coerente inconsciência, com três competições desgastantes, encarrapitadas umas em cima das outras em cinco dias. Foi a 38ª Corrida Internacional 1º de Maio (15 km), a 4ª Milha Urbana Alberto Chaíça (1,609 km) e agora o Corredor Verde da Lisbon Eco Marathon (21 km).

Talvez um pouco cansado, mas fisicamente bem, encarava com inusual confiança estes 21km pelo Parque de Monsanto. Tinha treinado razoavelmente bem para a distância e o teste dos 15km da Corrida Internacional 1º de Maio tinha-o comprovado. Apesar de uma azáfama de véspera que quase não me permitiu pensar ou preparar a prova, bastou-me começar a aquecer um pouco no Parque Eduardo VII para perceber que o dia tinha tudo para correr bem.

A partida, como sempre, foi uma precipitação de adrenalina e uma euforia desregrada. Parte-se como se fosse apenas um sprint até ao virar da esquina mais um aceno para o autocarro que nos convida a entrar e não como o início dos longos 21km. Como tinha objetivos concretos para esta prova, assumi-me entre os primeiros 30. Ao fim de algumas centenas de metros, olho para o relógio, que até funcionou, e vejo números abaixo de 4’/km. Tudo normal. Depois, pretendia estabilizar entre 4 e 4’10/km a rolar e subir como fosse possível, que aí não há margem para esquisitices.

Não tinha decorrido ainda uma milha, descíamos em bom ritmo o Jardim Amnistia Internacional, quando a senti. Uma dor aguda na zona dos adutores na perna esquerda. Em corrida, é normal conviver com dores, mas, por isso, já as conhecemos minimamente e esta apresentava-se como uma pouco atrativa novidade aguda e intensa. O primeiro impulso dizia-me: “Continua. Mais uns quilómetros e pode ser que passe”. Mas havia ali qualquer coisa de novo. Abrandei bastante a ver se a coisa passava, mas nada. Sempre pior. Uma visita indesejada que insiste em permanecer. Parei. “Pode ser que ao voltar a correr já tenha passado”. Nada. Tudo na mesma. Prossegui assim, neste pára-arranca angustiado a “ver se ainda dá” até aos 3,7km, quando decidi que não valia a pena continuar. Afinal, iria ser penoso fazer mais 17 km naquele estado para receber uma medalha verde…

Antes, às vezes imaginava-me, daqui a uns anos, a partilhar daquele discurso de outros atletas que afirmam que em milhares de corridas nunca desistiram de uma. Um prodígio de resistência e força de vontade. Por isso, nunca nos preparamos para a desistência. Aliás, como nunca tinha desistido, descobri que desistir pode assemelhar-se a algo bastante caricato, sobretudo quando ocorre nos primeiros quilómetros de uma prova relativamente longa.

Como conseguia andar sem problemas e ainda estava próximo da partida, decidi fazer devagar o caminho inverso. Mas, para isso, tive de me cruzar com a maioria do pelotão dos 21km e ainda com a totalidade do pelotão dos 12km. Eles e elas ainda repletos de esperança e vigor para uma prova que estava a começar, eu com o ar pateta de um tipo que se enganou no caminho ou que insiste em ir em sentido contrário na hora de ponta. Parei e encolhi-me na berma várias vezes para não atrapalhar a passagem, aqui e ali lancei uns incentivos acanhados, feitos à semelhança do estado de espírito, e regressei vagarosamente à linha de partida, onde bebi uma água, comi uma maçã e fiquei sentado a assistir à alegria daqueles que terminavam.

 Mais tarde, em casa rodeei-me do google e do meu Gray’s Anatomy, mas perdi-me em dúvidas entre o sartório, o grácil ou o adutor longo. Talvez nenhum dos três, pois faltam-me conhecimentos na área. Sem grandes recursos, besuntei-me em abundância com diclofenac e ritualizei a tarde de domingo com gelo. Nos dias seguintes ainda andei com a sensação de ter uma perna mais curta do que a outra ou de a perna esquerda poder subitamente desatarraxar-se e tombar algures pelo caminho, mas progressivamente a coisa foi-se compondo. Sem treinos, nem quaisquer aventuras, apenas a aguardar dias melhores.

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publicado às 14:39

Nos últimos dois anos, tenho preparado o ano de running em torno de um conjunto de três ou quatro provas que seleciono com antecipação, ajustando depois as restantes em função destes objetivos. Nem sempre decorreu como planeado, aliás na maioria da vezes, mas vale a benévola intenção. Em 2018, preparei a época em torno da Meia Maratona do Ultra-Trail de São Mamede (22km), Ultra-Maratona Atlântica Melides – Tróia (43km) e Maratona de Lisboa. Este ano decidi-me pelos 20 km da Marginal, Meia-maratona da Lisbon Eco-Marathon (21km) e Maratona do Porto. Objetivos mais modestos, pois o tempo não é elástico, mas igualmente duas estreias e um regresso.

Não quer dizer que sejam as provas mais longas, nem sequer são aquelas em que tenho maiores ambições competitivas. São apenas vértices de organização em torno dos quais procuro fazer a gestão dos ritmos de treino da temporada. Por exemplo, em 2018 investi em alguns trails e provas de praia, como o Corre Praia, Meia Maratona Analice Silva, Wine Trail Ervideira, Trilhos da Malaposta, ao mesmo tempo que prolongava os treinos, de modo a preparar as duas primeiras. Depois, no Verão voltei a investir mais no treino de estrada, antes da Maratona de Lisboa.

Toda esta conversa apenas para dizer que a primeira etapa desta época, os 20 km da Marginal tiveram lugar no passado domingo, deixando-me com um sentimento agridoce. Esta foi apenas uma segunda participação. Em 2017, depois de alguma loucura competitiva em março e no início de abril, tive de parar algum tempo para recuperar e cheguei aos 20km da Marginal mais embalado pelo descanso do que pelos treinos. Completei o percurso com 1:30:50. Mais tarde, ainda nesse ano, regressei à mesma distância em Almeirim, com um terrível resultado (1:36:17), que ainda quero explorar aqui numa série de short-stories, inspiradas em Edgar Allan Poe, sobre as piores e mais tenebrosas experiências competitivas que enfrentei: cansaço, lesões, equipamento desadequado, etc. Narrativas de suspense e terror, com a promessa de serem verdadeiramente arrepiantes.

Mas, este ano, como ando a circular mais rápido, tracei como meta um tempo pelo menos abaixo de 1:25:00. Claro que se não tivesse estado noutra prova no dia anterior, a ambição poderia ser outra, mas insensato é uma espécie de middle-name que me acompanha ao longo da vida… Mesmo assim, quando na partida, encontrei o Paulo, que corre na Natureza e Ensina e também no Clube Amigos do Parque da Paz, e que está a preparar a Maratona de Aveiro (que por isso sensatamente não esteve na Milha Urbana de Corroios), eu ainda estava convencido de que teria capacidade para ignorar as dores musculares que senti durante o aquecimento e que poderia conseguir um registo a 4:10/km. Aliás, na breve troca de palavras que tivemos, fiquei convencido de que ele pretendia treinar um pouco abaixo deste ritmo e assumi uma partida mais à frente.

Mas o desenrolar da história inverteu os papéis dos protagonistas. Ao quilómetro dois estávamos lado a lado e o relógio marcava os 4:10/km que previra. Seguimos assim até próximo do quilómetro 10, quando comecei a sentir novamente dores musculares. Ele, em excelente forma, aumentou ligeiramente o ritmo, e eu, superlativamente “empenado”, comecei a quebrar um pouco. Assim, rapidamente se desenhou um fosso de algumas centenas de metros. Ao quilómetro 12 estava a sentir-me melhor, procurei recuperar, mas ao aproximar do Alto da Boa Viagem já o tinha perdido de vista novamente. Completei a subida em esforço e verifiquei que o relógio assinalava 4:11/km de média. A partir daqui, com um percurso muito mais acessível, seria possível recuperar algum tempo se o corpo deixasse. Entre os 16 e os 17 quilómetros ainda estive junto de alguns atletas, num ritmo entre 3:52 e 3:58/km, mas a partir daqui senti uma quebra assinalável, sem força, desacelerei bastante e acabei fazer o último quilómetro a um ritmo bastante lento, na casa dos 4:15/km. Não se pode classificar de mau um tempo de 1:24:30 para alguém que retirou seis minutos ao melhor que tinha feito nesta prova. Mas, atendendo a alguns tempos mais recentes, acredito que era possível fazer melhor… Ou talvez não. As classificações estão disponíveis no website da organização.

Não digo “nunca mais”, nem que retire daqui alguma lição, pois já antecipava para as minhas pernas o natural efeito do excesso da véspera, mas retirei dividendos de uma outra experiência complementar a esta. Ao terminar a prova, completamente escangalhado, com a perna esquerda a doer e a parecer mais curta do que a outra, convenci-me facilmente de que valeria a pena juntar-me à fila para as massagens do GFD Running. Foi uma espera longa e, por vezes, desesperante, mas recompensada por uma igualmente longa e impecável massagem, que me deixou descontraidamente leve, a caminhar tão suave e relaxadamente como se toda a cidade de Lisboa tivesse sido generosamente alcatifada como muitas das nossas casas em meados dos anos 80. Um obrigado especial aos excelentes profissionais do GFD Running que ali estiveram pacientemente a remediar os desarranjos musculares de uma horda de corredores aflitos. Cinco estrelas!

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publicado às 14:31

A centésima

por JL, em 19.03.19

Faz três anos no próximo dia 20 de março, mas recordo-me como se fosse hoje. Ali estava eu, na Praça da Portagem da Ponte 25 de abril, com um boné branco na cabeça, calções, t-shirt e uns Downshifter 6 nos pés, perplexo e rodeado por uma multidão buliçosa, que erguia simultaneamente os braços de cada vez que o speaker os incitava a isso.

Três meses antes, oferecera-me pelo Natal uma inscrição na Mini-Maratona Vodafone. É assim uma daquelas coisas de que nos lembramos e não sabemos muito bem porquê. Uma experiência. Uma curiosidade. Um desafio. Dois meses de treino no ginásio com constante insistência nas passadeiras e ali estava na crueldade do mundo real, com a garganta a arranhar, depois da constipação da época, a tropeçar em mim, no meio daquela massa humana que se deslocava lentamente em direção à linha de partida. Depois, foi correr, na medida do possível, colocando um pé à frente do outro até chegar aos Jerónimos com a sensação de que tinha pulmão e pernas para mais.

Tanto assim foi que depois continuei. A correr. Tanto ou tão pouco, que chegou a vez da centésima. A contar com todas, mesmo as não cronometradas como a Corrida da Liberdade, que fiz três vezes, são duas maratonas, uma ultra, 13 meias-maratonas, quase três dezenas de 10 km, dois 20 km, vários trails, algumas léguas, e muitas diversas mais… São 100 provas contabilizadas.

Foi por isso com alguma emoção que regressei no domingo à casa partida. Na 29ª EDP Meia Maratona de Lisboa. Na mesma Praça da Portagem da 25 de abril. Confesso que apesar de ter sido a escolha para a primeira vez, acabei por não me tornar um grande fã desta prova. São demasiados atletas e faltam blocos de partida, o que faz desta prova um ziguezague constante e desgastante durante os primeiros quilómetros. Por isso, este ano decidi aproveitar o bom tempo para chegar mais cedo e tentar partir mais próximo da linha da frente. Uma opção salutar, que facilitou bastante a progressão. Ainda assim, só perto do primeiro quilómetro se consegue uma verdadeira estabilização, mas a partir daí foi perfeitamente possível assegurar um ritmo constante.

Há três meses, havia conseguido um registo bastante positivo nos Descobrimentos, com uma prova em negative split. Com os primeiros dois terços em registos próximos de 4’10/km e os sete quilómetros finais em 4/km numa prova invulgarmente bem gerida para o pouco que consigo fazer. Para a Meia de Lisboa pretendia fazer algo semelhante, mas sabia que a preparação não era a mesma. Assim, após o tortuoso primeiro quilómetro a 4’40/km, aproveitei a descida para Alcântara para recuperar algum tempo e consegui estabilizar em 4’10/km. No entanto, desta feita a preparação não me permitiu a aceleração final, pelo contrário, e acabei por concluir com um tempo de chip de 1:27:29. Bastante bom para aquilo que eram os meus registos não há muito tempo, mas relativamente amargo face aos desenvolvimentos mais recentes. Fica a sensação de que numa fase melhor e mais bem preparado poderia ter feito pelo menos um minuto a menos. No entanto, acredito que não faltarão oportunidades até estar a comemorar a milésima!

Classificação final no website da organização e historial de resultados em JoaoLimaNet.

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publicado às 16:42

Primeiro classificado

por JL, em 21.01.19

Finalmente primeiro. O motivo é de euforia. Regozijo. Farta celebração familiar. Até razão bastante para iniciar aquele projeto de um blogue sobre running, que há muito estava na gaveta.

Ao procurar pelo meu nome nas classificações da 4ª Corrida Solidária dos Adeptos e Simpatizantes, no site da Xistarca, este domingo à tarde, verifiquei ser o primeiro classificado dos ‘joões limões’ na corrida dessa manhã. Um primeiro vislumbre desta importante disputa adivinhou-se na sexta-feira pela hora de almoço, quando ao consultar as listas com os números de dorsais fui avisado de que o meu nome estava repetido. Segui com o olhar o indicador que me avisava e lá estavam duas linhas com o mesmo nome. O meu nome. Lapso da organização? Aborrecimento capaz de comprometer os poucos minutos disponíveis para o levantamento do dorsal? Não. Apenas um simples caso de homonímia. Na linha de baixo, o nome completava-se com a inscrição num invejável escalão muito mais jovem…

Confesso que esta particular disputa nunca pairou nos meus pensamentos na manhã de dia 20. Como sempre, tinha preparado o equipamento na véspera. Apenas repartido entre duas possibilidades de camisola, calções e ténis, mediante a temperatura e o feeling da hora. Tinha decidido utilizar uma camisola alusiva ao clube de que sou adepto, estando apenas indeciso entre a camisola da prova ou da Corrida António Leitão de 2017. Optei pela segunda, por me agradar o tecido da Adidas nos dias mais frios. Já na Cidade Universitária, decidi calçar os Lunartempo, em detrimento dos meus preferidos, para lhes dar alguma rodagem competitiva, uma vez que têm sido pouco utilizados.

Queria fazer um tempo abaixo dos 40’, por isso decidi partir não muito longe da linha da frente. Debati-me com alguma confusão no arranque, mas rapidamente consegui posicionar-me numa posição privilegiada em relação ao grupo na liderança. Queria aproveitar o embalo inicial, mas sabia que tinha de me preservar para o sobe-desce da República. Assim, a partir dos 3km assentei num ritmo mais moderado, perdendo algumas posições, mas mantendo-me sempre nos 30 primeiros. Confesso que a falta de treino de ginásio e de rampas fez-me sentir algumas dificuldades nas subidas, com quebra de ritmo, mas fui conseguindo gerir o tempo, de modo a alcançar 39’52. Dentro dos objetivos estabelecidos. Mas longe dos resultados de Danilo Pimentel (34’11) e Alexandra Sousa (38’31), vencedores em masculinos e femininos. A classificação completa está disponível no website da organizador.

Foi uma bela manhã competitiva. Com um dia solarengo, apesar de alguma brisa mais fria. O percurso da prova é muito agradável, com piso em boas condições, e desafiante q.b. com os seis túneis da República e a subida para a reitoria. O número de 765 finishers garante uma moldura humana calorosa e empolgante, mas não demasiadamente extensa para comprometer o funcionamento da prova. Adiciona-se o comprometimento ambiental do organizador, decidido a aderir a promover práticas mais sustentáveis no uso de plásticos, papel e energia, que podem ajudar a contribuir para uma progressiva mudança de atitude dos cidadãos, e ainda uma recolha solidária de equipamentos desportivos para a Associação O Companheiro.

Recordo-me de um texto de Borges, com o título “O outro” quando olho para as primeiras linhas deste texto e penso nas motivações para a sua escrita. A vontade de partilhar a experiência. E resta-me agradecer ao meu homónimo por ter-me motivado a escrever esta crónica e desejar-lhe as maiores felicidades e sucesso. Quem me dera ser eu o sénior e estar a começar…

 

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publicado às 21:51


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