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Os segredos mais bem guardados desvendam-se nos dias especiais. Por exemplo, quando olho para trás, penso que entre as maiores influências para as minhas jornadas de running estarão dois livros. É sobre o primeiro deles que tenciono escrever hoje, neste 23 de abril, Dia Mundial do Livro.

Não me recordo da razão que me levou a comprá-lo. Provavelmente estava já a germinar alguma ideia para qual buscava substrato. Mas, a aquisição do livro “Nascidos para Correr”, do jornalista Chistopher McDougall, é indubitavelmente uma das primeiras principais razões para ter começado a correr. Sei que não é um Shakespeare, um Proust ou um Dostoievsky. Não tem a elegância e a profundidade dos mestres do cânone, nem sequer de alguns contemporâneos, mas numa escrita com um estilo de inspiração jornalística, sobretudo a partir de géneros como a entrevista e a reportagem, este livro revela uma enorme destreza narrativa.

A partir de uma primeira story sobre uma incapacidade pessoal, partilhada por muitos, que é a fraca propensão do autor para o atletismo, o livro inicia uma investigação sobre históricos grandes corredores e provas, que nos leva a conhecer ultra-runners, ultra-trails e uma tribo lendária de corredores: os Tarahumara.

Assentando numa narrativa bipartida, divide-se entre uma história presente, que é a preparação de uma ultracorrida organizada para um reduzido grupo de superatletas, numa estrutura com um registo próximo da literatura de aventuras, em que não falta o discurso motivacional nem o humor, e as permanentes incursões em territórios da ciência e investigação sobre o corpo humano e a marcha evolutiva dos hominídeos. Além dos referidos Tarahumara, somos convidados a conhecer os caçadores-recolectores bosquímanos, as técnicas de rastreamento e os princípios da “caça de persistência”, no que poderá ter sido uma das razões de sobrevivência do nosso antepassado Homo erectus, numa verdadeira revisitação de muitas teorias sobre o bipedismo.

Não faltam ainda abordagens breves a dietas, técnica de corrida e calçado desportivo. Como se não bastasse, qual o outro livro que estabelece pontes entre a corrida e a poesia beat de Allen Ginsberg ou Jack Kerouac? E apresenta-nos ainda o “The Dharma Bums” (“Os Vagabundos do Dharma”), de Jack Kerouac, como possibilidade de texto de iniciação ao treino...

Por tudo isto, lê-se num ápice, sem esforço, e com muito prazer. Boas leituras!

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publicado às 10:22


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