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A 1ª Milha do Lago, realizada dia 30 de junho, no Parque da Paz, em Almada, com organização do Clube Pedro Pessoa – Escola de Atletismo, foi a última prova do Troféu Almada de Atletismo “Mário Pinto Claro”.

Para um ano atípico, decisões atípicas, provas atípicas e resultados atípicos. Com os últimos meses dedicados à escrita e pouco direcionados para grandes aventuras de corrida, dei por mim a colecionar provas de troféus locais a poucos quilómetros de casa. Opções inimagináveis há uns meses, como a Milha, mas consistentemente inevitáveis hoje. Assim, nada melhor do que concluir a época competitiva com uma prova nesta distância a mais ou menos um quilómetro de casa, no parque da cidade onde mais treinos tenho feito.

Conhecia perfeitamente o percurso, embora não o trilhe com regularidade, pois esquivo-me ao empedrado na zona de partida e chegada. Sabia que teríamos uma saída rápida, uma seleção na áspera subida que se prolonga até quase metade do percurso e que a partir daí era praticamente sempre a descer até à meta. Sabia também que a velocidade com que decorre uma prova de Milha não permite grande gestão. Por isso, é necessário partir rápido e tentar manter a posição, pois já percebi que pode não existir tempo para recuperações.

Numa série que juntava veteranos II e III, parti na linha da frente, procurando manter-me entre os primeiros dez praticamente desde o início. Sabia que não tinha quaisquer hipóteses face a alguns participantes, mas tencionava alcançar uma classificação razoável. Como esperado, depois da primeira curva, com a chegada dos primeiros metros a subir, a seleção foi sendo feita. Os candidatos à vitória descolaram e demonstraram claramente que nós, os outros, ainda temos muito que evoluir, mas percebi que no meu escalão apenas tinha um atleta à minha frente. Segui assim, em esforço até aos 0,76km, quando atingíamos o ponto mais elevado do percurso. A partir daqui era destravar os músculos moídos pela subida e acelerar tanto quanto possível por uma distância praticamente equivalente. Bastante fácil na teoria, consideravelmente mais difícil na realidade.

Assim que começamos a descer iniciam-se os “ataques”. Sinto vários atletas a aproximar-se e alguns começam a ultrapassar-me. Parece fácil por estarmos a descer, mas a descida prolonga-se por 0,75km até à curva para a meta. Por isso, não é fácil manter um ritmo muito elevado durante toda a distância. Acompanho o atleta que me ultrapassou. Sinto que cedemos ligeiramente e percebo uma nova ofensiva de dois atletas do Clube Pedro Pessoa, que nos ultrapassam na fase final da descida. Penso que preciso apenas de alguns segundos de recuperação, antes de desferir uma aceleração final à entrada da curva para a meta. Consigo fazê-lo, ultrapasso o meu parceiro de descida, mas já os dois do Pedro Pessoa estão inalcançáveis. Um deles é do meu escalão e acabo por concluir em terceiro, com 5’38.

Ponto final. A sétima prova do Troféu Almada de Atletismo “Mário Pinto Claro” encerra a época almadense de 2018-19. Foi uma temporada consistente. Sem grande talento, chego uma regularidade atípica de participações e resultados: dois primeiros lugares, um segundo, três terceiros e um quarto, no pleno de participações. É inédito.

A partir de outubro haverá mais. Mas é necessário corrigir alguns aspetos neste troféu para o colocar ao nível de outros, nomeadamente aumentar ligeiramente o número de provas: não terá sentido fazer, como noutros locais, um troféu com dezena e meia de competições, mas duas ou três mais ajudavam a compor o leque. Também seria positivo não deixar que existam intervalos tão grandes entre algumas provas. Ao fim de dois ou três meses sem nenhuma prova já ninguém se lembra do Troféu. Por fim, o mais fundamental: organizar uma página online com todos os regulamentos e classificações, de modo a aumentar a transparência dos resultados. Não tem sentido não existir uma página pública com esta informação.

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publicado às 10:31

Mais uma milha

por JL, em 12.06.19

Esta temporada de pouco tempo disponível e algum desleixo competitivo, leva-me a um contínuo de provas que não seriam as minhas escolhas habituais. Mas, assim, em piloto automático, sem preparar muito bem nenhum plano competitivo, vou riscando um visto breve em provas que fazem parte do calendário competitivo de torneios locais, apenas para manter a forma e descarregar adrenalina.

É por isso que alguém que afirma não apreciar provas rápidas e curtas soma a terceira Milha em mês e meio. Depois da Milha de Corroios e da Alberto Chaíça, no Monte da Caparica, chegou a vez da Milha Urbana do Seixal, no passado dia 2 de junho. Uma prova especial, por ter sido a minha primeira experiência nesta distância. “Traumatizante” como afirmei antes. Mas, ainda assim um marco na linha das memórias desportivas pessoais.

Três anos depois, regressar à Milha Urbana do Seixal era antecipado de uma forma completamente diferente. Agora, já sei no que me vou meter em termos de cadência da corrida e também já conheço um pouco melhor o meu corpo, que ele próprio está diferente, depois destes três anos de provas frequentes. Neste momento, a corrida e a competição são uma parte da rotina. Modesta, mas presente. Também já conhecia o percurso e até os outros atletas são já caras habituais nestas andanças e todos temos uma noção do ritmo de cada um de nós e da forma como nos arrumaremos na lista da classificação final.

O que dizer da prova? Não é fácil escrever sobre uma competição que decorre freneticamente em pouco mais de 5 minutos sem fôlego. Sim, é bonita a marginal do Seixal. Plana, aberta sobre a baía, solarenga naquele dia primaveril e quente. Mas, naquela sofreguidão de conquistar metros por debaixo das solas, nada disso existe. Mesmo que pareçamos mover-nos em slow motion para quem assiste da beira da estrada. Para nós, somos como bólides supersónicos, máquinas de músculos latejantes e respiração ofegante. Existem apenas pernas, pulmões, asfalto e um ponto fixo assinalado por um pórtico, onde tentamos chegar rapidamente.

Para mim, foi uma boa prova. Controlada. Relativamente rápida. Suficientemente astuta para ultrapassar na segunda volta alguns atletas que se encontram no mesmo nível competitivo que eu. Fechei com 5’28, de acordo com o cronómetro oficial. Ou seja, menos 25 segundos do que em 2016, na primeira e até aqui única participação nesta corrida. Impossível querer mais.

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publicado às 10:41

Numa breve pesquisa online sobre a “milha”, aquilo que nos é devolvido é um conjunto de páginas sobre inúmeros programas de acumulação de milhas para viajar… Mas, neste caso, todas as milhas a que me refiro apenas se acumulam nas pernas, embora, à sua maneira, também possam servir para para o mesmo efeito.

Já anteriormente mencionei aqui anteriores experiências em prova de Milha em dois textos (A primeira Milha de um corredor inconsciente e “Accelerati Incridibilus”) com relatos sobre a primeira participação numa prova com esta distância e, posteriormente, sobre o regresso em 2019. Esta é apenas minha quarta participação nos breves e intensos 1,609km desta distância que realmente aprecio com pouco entusiasmo.

A 4ª Milha Urbana Alberto Chaíça, quinta prova do Toféu Almada “Mário Pinto Claro” 2018-19, surge em homenagem a este conhecido atleta almadense, que foi 8º classificado na Maratona dos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004 (2:14:17) e 4º classificado no Campeonato do Mundo, em 2003, em Paris, com 2:09:25. Em Portugal, foi campeão nacional dos 10 mil metros (29:04:50), em junho de 2003, mas com um recorde de 28:06 em pista e de 28:43, em estrada. Marcas estratosféricas para os comuns mortais que se alinharam à partida e que os tempos finais se encarregaram de comprovar.

Para uma Milha, esta prova do Monte Kapa – Escola de Desporto tem logo o grande inconveniente de ter uma subida relativamente prolongada e um pouco acentuada na Rua Alfazina de Cima, pouco após a partida, que convida a uma gestão de esforço mais cuidadosa. Eu, como receio sempre os excessos iniciais, mais uma vez parti com o cuidado de não imprimir um ritmo demasiado intenso e com a intensão de acelerar essencialmente na segunda metade da prova, a seguir à inversão, já na fase de descida. Mas rapidamente comprovei que na “cabeça” da prova ninguém estava muito preocupado com gestões e simplesmente aceleravam desenfreadamente. Não consegui medir distâncias, pois mais uma vez o relógio falhou, mas calculo que a segunda metade da milha foi muito mais rápida. Pelo menos assim me pareceu e permitiu-me recuperar dois ou três lugares, para terminar em 4º no escalão, com um tempo de 5:33.

Está cumprida mais uma etapa no Troféu "Mário Pinto Claro", que prossegue dia 12 de maio com o Corta-Mato Rui Duarte Silva, organizado pelo Clube de Atletismo Amigos do Parque da Paz.

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publicado às 10:32

"Accelerati incredibilus"

por JL, em 14.04.19

Para quem não conheça ou não reconheça, o pseudolatim do título vem emprestado da série de animação “Road Runner”, conhecida em Portugal por “Bip Bip” e no Brasil por “Papa-Léguas”, quando no genérico inicial as personagens são apresentadas num plano fixo, com uma legenda com o “nome científico” entre parêntesis. Esta cientificidade foi modificada ao longo das diferentes temporadas da série, mas quase sempre com nomes reconfortantemente cómicos e desconcertantes. Que melhor introdução para esse foguete das provas de atletismo local, que é a Milha, do que o generoso exemplo do galo-corredor americano que celebra 70 anos em 2019?

Três anos depois, regressei à Milha Urbana de Corroios com um nó no estômago e um olímpico ponto de interrogação a coroar a frase: O que é que eu estou a fazer aqui? Sou um Accelerati vulgaris, não gosto de provas rápidas, sinto-me um coiote, tenho outra prova amanhã ou ainda me vou lesionar, foram alguns dos pensamentos turvos que me ocorreram naqueles minutos iniciais de deriva pelas ruas de Corroios. Mas depois, uma cara conhecida aqui. Outra ali. Uns cumprimentos aqui e ali. Mais umas provas que estão a acontecer e das quais vemos um bocado. Depois, aquela multidão de gente de camisolas verdes e tudo acaba por se arrumar no seu sentido. Então, recordo-o com clareza: decidi vir a esta prova para voltar a correr pela Natureza Ensina e ajudar a equipa com alguns pontos modestos, e também para reencontrar caras que já não via há algum tempo. Enfim, límpido. Mesmo que signifique algum empeno nos 20 km Marginal...

Isto de correr em equipa tem muito de gregário, social e até qualquer coisa de tribal. Para quem não sabe sobre o que os corredores falam antes e depois das provas, que será a larga maioria da população mundial, aviso que também não o desvendarei. Deixo apenas a promessa de um dia destes editar um “Life of Runners”, ao estilo de David Attenborough, para desvendar as folhagens opacas que escondem os comportamentos desse estranho mamífero gregário que se aglomera socialmente em grupos de cores idênticas e que repete regularmente a bizarria de percorrer em grupo e em passo tão acelerado quanto possível um itinerário idêntico, às vezes circularmente, até um ponto em que todo o grupo interrompe o percurso e recomeça a socialização e hidratação. Um estranho comportamento, de aparência vagamente migratória, mas que pode encobrir outras razões que apenas o avanço científico poderá descortinar. Não perca: brevemente no seu computador…

Enfim, de regresso à Milha, depois deste devaneio de contornos histórico-televisivos, fiquei muito satisfeito com um 5º lugar no escalão, com o tempo de 5’35. De acordo com a estimativa oficial, corresponde a qualquer coisa como 3’28/km, mas o meu relógio conta-me que foi 3’19/km. Certamente, mais uns metros de curvas por fora e afins. Pessoalmente, não podia esperar mais. Mais experiente do que em anos anteriores, não me deixei levar por inconsciências e entusiasmos e tentei sempre seguir o meu ritmo, independentemente do que acontecia à minha volta. Não ganhei para o susto quando vi o relógio a marcar 3’/km, mas garanti que continuava a respirar mais ou menos controladamente. Perdi algumas posições que já não consegui voltar a recuperar, mas estava cumprido o objetivo que traçara. Mesmo assim, são oito pontos para a equipa, visto o quarto classificado ser um corredor externo ao Troféu. Um pecúlio inédito, que jamais imaginei alcançar numa Milha.

Enfim, reconheço que nunca serei um galo-corredor, e que esse papel tem donos, bastante mais merecedores, para uma série de extensa duração. Os meus parabéns ao Carlos, ao Mário, ao António, ao Hélder e ao Marco, da Natureza Ensina, que concluíram a nossa série nos cinco primeiros lugares, preenchendo brilhantemente a totalidade do pódio de Veteranos II e os dois primeiros de veteranos III. Mas, também o Luís, o Nelson, eu e o Ricardo preenchemos nove dos 15 primeiros lugares da série com a camisola verde da Natureza Ensina. Nome científico: Accelerati incredibilus.

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publicado às 18:20

Ando às voltas com a literalidade. Olho para o título e penso-o de forma literal, mas também, até certo ponto, figurada. Pois, por “primeira Milha” não quero remeter para os primeiros passos, corridas ou treinos, de modo figurado, ao estilo de “calcei as sapatilhas e saí de casa para uma primeira milha à volta do parque”, conforme é comum em vários textos sobre corrida, mas sim efetivamente para a prova de Milha. O 1,60934 km da milha terrestre. Aquela distância que faz parte de “todos” os troféus de atletismo por esse país fora. Mas, por outro lado, como facilmente se percebe, a inconsciência do título não se refere a uma qualquer perda súbita e temporária de consciência nem tão pouco à psicanálise, mas sim a uma irreflexão. Uma incapacidade de antecipar e refletir sobre as características e dificuldades de uma atividade. Nada que me tire o sono.

No entanto, dormi mal na noite antes da primeira prova de Milha. A primeira de uma longa lista de duas. Não é que fosse um corredor inexperiente. Já corria há cerca de dois meses e esta era a minha sexta prova, numa precipitação de experiências diferentes de quem acaba de descobrir um brinquedo novo (3x10km, 15km, 3km).

Mas, como dizia antes, dormi mal. Cometi o erro de não parar de imaginar como seria correr uma prova tão curta. Dez dias antes, conseguira superar a barreira dos 4’/km na primeira prova de 3km do Noites Quentes do Restelo 2016 (11:51). Na minha cabeça parecia-me óbvio que os 1,609km da milha seriam ainda mais rápidos e imaginava-me a “voar” desde a partida até à meta. Poucos minutos em aceleração constante. Seguro e de sorriso nos lábios. Em parte, não estava distante da verdade, mas os 1,609km permitem-se a muitas cambiantes durante aqueles breves minutos.

A cobaia foi a XXIV Milha Urbana da Baía do Seixal, que contava para o Troféu Seixal. Quando me inscrevi desafiaram-me a participar pela Casa do Benfica no Seixal. Outra estreia. Pela primeira vez ia correr em representação de um clube. Algo que aumentava ainda mais a pressão dessa primeira vez. A quinta primeira vez em mês e meio: primeira corrida, primeiros 10 km, primeiros 15 km e primeiros 3 km.

No dia da prova, depois de receber o precioso dorsal, preocupei-me em aquecer bem. Sabia, pelo que tinha lido e não tanto por experiência própria, que as provas mais rápidas exigem um melhor aquecimento, pois requerem rendimento imediato e não queria quebrar logo na partida. Assim, procurei iniciar devagar e adensar os exercícios com uma gama alargada de movimentos, em progressiva aceleração. Uma amalgama de movimentos mais ou menos de aquecimento, resultantes de um misto de aprendizagem com os monitores do ginásio, leituras avulsas e memórias longínquas do futebol.

A prova corria-se por escalões como é habitual nestas distâncias e em cima da linha de partida juntavam-se os principais favoritos. Arrumei-me numa segunda ou terceira linha do lado direito e recapitulei o objetivo: arrancar rápido e tentar acompanhar minimamente o ritmo nos primeiros metros. De seguida, gerir um pouco na zona intermédia e fazer um forcing na segunda metade. Tantos planos para tão poucos recursos… A explosão do tiro de partida pôs em marcha uma avalanche de adrenalina que se precipitou no asfalto. Para mim, bastaram cinco segundos, talvez nem tanto, para perceber que o ritmo era demasiado rápido para as minhas competências. Mesmo assim, queria que o fosso não fosse demasiado grande e fiz um esforço para impor velocidade. Mas era demasiado intenso. Ao fim de 500 metros já só pensava na meta e já nem a classificação interessava. Bastava-me um pouco de ar... “Corri” sem forças os últimos metros, deixando-me ultrapassar por dois ou três atletas mais astutos e suspirei de alívio com a chegada. Descobri que 1,609km podem ser muito mais desgastantes do que 10km. Completei o percurso com modestos 5’53 e percebi que não tinha futuro na velocidade. Nunca mais!

Dois meses depois, na XI Milha Urbana de Corroios, esqueci a decisão algo precipitada e repeti a distância em 5’46, na segunda das duas experiências na Milha. Um pouco mais rápido, mas igualmente sofrido, o registo de Corroios deixou-me ainda mais consciente dos meus poucos recursos para estas provas rápidas, decidindo-me a adiar para mais tarde outras participações, mas sem vontade de desistir. Contudo, umas vezes por isto e outras por aquilo, e ainda mais outras por aqueloutro, nunca mais tive disponibilidade voltar a correr esta distância. Veremos quando se dará o regresso… Será 2019? A XIII Milha de Corroios está à porta…

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publicado às 10:07


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